Combate ao colesterol passa por mudança de comportamento
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quinta-feira, 06 de agosto de 2015
Rafael Fantin<br> Reportagem local 
A vendedora Simone Cristina Salgado, moradora do centro de Londrina, passou a tomar mais cuidado com a alimentação após a recomendação médica, que vetou a ida à academia por causa do sobrepeso. "Estou com um problema de saúde nas pernas e, primeiro, preciso perder peso com mudanças na alimentação para depois iniciar a prática de exercícios físicos. Espero que esse novo comportamento dê resultado", afirmou ela durante consulta em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no centro da cidade. Segundo os médicos especialistas que participam do Dia Nacional de Combate ao Colesterol, comemorado amanhã, a iniciativa de alterar o cardápio e abandonar o sedentarismo deveria ser tomada por grande parte dos paranaenses.
Pesquisa divulgada neste ano pelo Ministério da Saúde apontou que 54% dos moradores de Curitiba estão acima do peso, conforme o levantamento realizado entre fevereiro e dezembro do ano passado. Entre as capitais, as populações de Fortaleza, Porto Velho e Manaus apresentam 56% de sobrepeso, o maior percentual apontado pelo estudo. "Os números são preocupantes, principalmente por causa dos fatores de riscos como colesterol, obesidade, pressão alta, diabetes e outros que podem aumentar as chances de um infarto ou AVC (Acidente Vascular Cerebral)", afirmou o cardiologista do Hospital Costantini, Everton Dombeck.
Para ele, a receita de cuidar da alimentação e praticar exercícios é antiga, mas ainda é considerada a mais eficaz. "Apesar de não ter nenhuma novidade, as campanhas são importantes pela repetição. Essas medidas precisam ser gravadas pela população, que deve incorporar uma mudança comportamental devido à gravidade das consequências pela falta de controle do colesterol", comentou.
De acordo com o cardiologista, 60% dos diferentes tipos de gordura são produzidos pelo próprio organismo, inclusive o HDL, conhecido como colesterol bom. Já 40% da produção depende dos hábitos alimentares e da prática de exercícios, o que favorece a "queima" de gordura. "O estresse também é um fator corrosivo e contribui com o descontrole da pressão arterial. A pessoa não consegue se organizar e, consequentemente, não se alimenta da forma adequada e ainda fica sem tempo para iniciar as atividades físicas", acrescentou Dombeck.
Na opinião dele, o governo deveria realizar campanhas para incentivar a alimentação saudável e prática de exercícios em parques públicos, além de regulamentar os produtos alimentícios, visando melhorias nos hábitos da população.
A presidente do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Gisah Carvalho, disse que a genética também pode influenciar nos casos de colesterol. "Quando existe um histórico familiar de cardiopatia e doenças cardiovasculares, o controle é ainda mais rigoroso e, por isso, os níveis devem ser mais baixos", explicou a médica, que ressaltou a necessidade de mudanças alimentares, principalmente por causa dos produtos com gorduras trans.
Ela ainda lembrou que em alguns casos os novos comportamentos não são suficientes para a melhora nos índices, sendo necessária a utilização de estatinas, medicamentos que ajudam o fígado na metabolização e eliminação das gorduras do colesterol. "O médico também investiga doenças associadas como diabetes, hipotiroidismo e outras causas que podem até agravar a situação. Quando o nível é alto com risco cardiovascular é importante o tratamento em conjunto com o cardiologista", comentou.
A presidente ressaltou que os riscos de mortalidade e morbidade nos casos de AVC e infarto são relevantes, o que aumenta a necessidade de campanhas para a conscientização da sociedade. "O diagnóstico precoce pode prevenir sequelas. Por isso, o acompanhamento médico e a mudança de hábitos são fundamentais", alertou.


