Brasília, 26 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, concluiu há pouco, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sua exposição num debate sobre o combate à miséria, repetindo o mesmo apelo em favor da estabilidade econômica já lançado em debate similar no Senado. O ministro disse não acreditar em surto episódico de crescimento econômico ou em programas de combate à miséria em um ambiente de instabilidade. Ele entregou à CNBB um documento elaborado pelo órgão similar da igreja na Alemanha, em 1984, no qual a entidade conclamava os clérigos a lutarem em favor da estabilidade da moeda para impedir, entre outros, que os esforços dos órgãos da igreja em favor dos pobres fossem anulados pelo processo inflacionário.
O ministro disse que a consciência sobre o problema da miséria veio para ficar na sociedade brasileira e citou como exemplo o fato de três das principais revistas semanais brasileiras trazerem o tema da solidariedade em suas capas. Ele disse que o papel das organizações locais é fundamental para se buscar soluções para os problemas sociais.
Na palestra, Pedro Malan reclamou da divulgação de versão segundo a qual ele teria fixado o prazo de 2015 para se realizar o combate à pobreza no País. Ele disse que essa versão foi movida por má-fé ou interesses inconfesssáveis. Lembrou que havia citado apenas o consenso havido em uma reunião da ONU para que os países tentassem reduzir à metade, até 2015, a miséria entre suas populações. Ele se disse convicto de que o País conseguirá atingir este objetivo "muito antes desta data" e lembrou que muitas das metas fixadas pela ONU já foram atingidas pelo Brasil. Entre elas citou a igualdade entre meninos e meninas no acesso à educação e a universalização da educação primária, que já teria atingido 96% no Brasil, segundo ele.
Malan afirmou que o problema da miséria no Brasil não tem a dimensão ciclópica da ásia ou da áfrica. "Está ao nosso alcance
com a mobilização dos governos, das igrejas e das organizações não-governamentais, reduzir o problema de forma expressiva, mas não, como dizem alguns, em um par de anos, na vigência de um mandato". Segundo o ministro, quem faz esse tipo de promessa está agindo como mercador de ilusões.

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