Agência Estado
De Brasília
O governo federal vai aumentar os recursos destinados ao combate à aids no País. O anúncio foi feito semana passada pelo ministro interino da Saúde, Barjas Negri, ao lançar a campanha de prevenção da doença no Carnaval, cujo foco principal será a mulher por causa do aumento de casos entre o sexo feminino. A previsão do governo eleva para R$ 152 milhões os valores com programas de combate à aids, superando o ano passado quando foram investidos R$ 129 milhões.
Ao contrário de anos anteriores, a campanha de 2000 vem com uma advertência mais dramática sobre os riscos de contaminação por HIV, o vírus da aids. Durante o Carnaval serão distribuídos 10 milhões de preservativos, 3 milhões a mais que no ano passado. O direcionamento para a mulher ocorre devido ao aumento da incidência de casos no sexo feminino, que hoje correspondem a 24,1% dos 170 mil notificados no País no período de 1980 a 29 de agosto de 1999. O ministério estima haver no Brasil cerca de 500 mil infectados pelo vírus HIV.
‘‘Vamos aproveitar esse fato para chamar a atenção das pessoas para a gravidade do problema’’, disse o coordenador Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Pedro Chequer, ao explicar que pesquisas apontam um crescimento de casos de aids entre mulheres, negros e pessoas de baixo poder aquistivo. Chequer disse que cidades como Rio de Janeiro e Salvador receberão maior atenção durante o Carnaval em função do grande número de turistas que recebem nesse período do ano.
A campanha inclui, além de filmetes para TV e spot para rádios, cartazes, estandartes, camisetas, outdoors e fitas de cabeça. Os cartazes, no estilo ‘‘Onde está Wally’’ alertam a população de que a aids não está mais em grupos de riscos, e ainda lembram que a busca de parceiros eventuais no Carnaval é um passo para a infecção, se na relação não for utilizado o preservativo. O Ministério da Saúde preparou edição especial de um folder em inglês, português e espanhol para distribuir aos turistas em aeroportos e cidades de fronteira.
O coordenador Pedro Chequer disse haver no Brasil ‘‘uma certa estabilidade’’ na notificação de casos novos de aids. Segundo ele, a partir de 1996 as notificações ficaram na faixa dos 20 mil casos anuais, ‘‘e a tendência futura é de queda de casos’’. Disse, ainda, que houve uma redução de 40% de mortes por aids entre 1995 e 1997. Em São Paulo, o índice foi de 54% entre 1998 e 1999. A redução seria consequência do aumento de informações sobre os riscos da aids entre a população.
A campanha de prevenção da aids no Carnaval vai enfocar a necessidade de uso do preservativo nas relações. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, apenas 30% das pessoas dos 16 aos 65 anos usam preservativo com frequência. Entre os mais jovens – dos 16 aos 25 anos – o número sobe para 44%, e nas relações eventuais, o uso do preservativo cresce para 65%. A pesquisa revelou também que 21% das mulheres casadas sexualmente ativas usaram camisinha em suas relações no ano passado. O índice é superior aos Estados Unidos (13%) e Nova Zelândia (6%).

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