O CV (Comando Vermelho), mais antiga facção criminosa do Rio, marcou para a próxima quarta-feira uma greve de fome de presos em todas as penitenciárias do Estado do Rio.
A direção do CV reivindica a imediata transferência para o regime semi-aberto dos presos que já cumpriram parte das penas e ainda se encontram no sistema de regime fechado.
A informação sobre a greve de fome foi passada, por uma parente de um preso ligado ao CV, ao presidente do Conselho da Comunidade, Marcelo Freixo. Ele também recebeu uma carta denunciando maus-tratos aos presos que estariam sendo praticados por agentes penitenciários.
O Conselho da Comunidade reúne organizações não-governamentais e a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Sua tarefa é acompanhar, na Secretaria Estadual de Justiça, a situação carcerária no Estado.
‘‘Fiquei chocado com a carta. Entreguei o documento e relatei a iniciativa da greve de fome ao secretário de Justiça e ao diretor do Departamento do Sistema Penitenciário. Eles me informaram que já tinham tudo sobre controle’’, disse Freixo.
Segundo ele, os parentes informaram que a greve começou a ser organizada há dois meses, devido à insatisfação dos presos com a demora na progressão do regime.
A situação teria se agravado em função da superlotação das casas de custódia criadas pelo governo estadual para alojar os presos das delegacias distritais.
A carta afirma que os agentes penitenciários ‘‘chegavam a urinar nos rostos dos presos do presídio Vicente Piragibe’’.
O diretor do Desipe, Manoel Pedro da Silva, disse que no sistema penitenciário não há liderança senão a dele e a do secretário de Justiça.
‘‘Não existe essa história de Comando Vermelho comandar qualquer coisa. Somos a ordem.’’ O secretário de Segurança Pública, Josias Quintal, afirmou que não aceitará ‘‘o ultimato de uma facção criminosa’’.

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