Comando pede expulsão de PMs
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sexta-feira, 04 de maio de 2012
Adriana De Cunto <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O comandante geral da Polícia Militar (PM) do Paraná, Roberson Luiz Bondaruk, anunciou ontem que pediu a expulsão da corporação de dois policiais acusados de torturarem um rapaz de 19 anos, no início do mês de março, em Curitiba. O processo de exclusão foi encaminhado para a Vara da Justiça Militar, que deve demorar cerca de 30 dias para julgar o caso. Os dois policiais teriam torturado um servente de pedreiro, que mora no Jardim Uberaba, dois dias depois da instalação da Unidade Paraná Seguro (UPS) naquele bairro. Eles também são acusados de racismo.
O comandante Bondaruk explica que pediu a expulsão porque há indícios e ''provas robustas'' de que eles cometaram abusos. ''Com base nessas provas, instauramos processo disciplinar de expulsão dos militares'', afirma. Na opinião dele, são grandes as chances de a Justiça Militar acatar o pedido. ''Nós queremos excluir estes policiais por uma questão de disciplina, por uma questão de respeito e porque a polícia está para preservar a ordem e não para burlá-la'', justifica. Os dois policiais estão afastados do serviço. Outros três PMs também teriam participado da sessão de tortura, mas foi solicitada a expulsão de dois dos acusados.
A vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PR), Isabel Kugler Mendes, explica que a comissão acompanhou o desenrolar do Inquérito Policial Militar e que o processo foi conduzido de forma correta. Ela acredita que a punição deve servir de exemplo, mas lembra que os dois acusados têm direito de defesa durante o julgamento do caso na Justiça Militar.
Isabel lembra que o servente de pedreiro, que é negro e deficiente físico, tinha sinais de queimaduras por eletricidade no abdome e nos braços, indicando que pode ter sido submetido a seções de choque. No dia da agressão, ele ficou desaparecido por cerca de cinco horas.


