Rio, 18 (AE) - O comando nacional do PDT fechou com a direção regional do partido em São Paulo o apoio à pré-candidata a prefeita e deputada federal Luíza Erundina (PSB).
Pelo acordo esboçado - ele deverá ser formalizado em, no máximo, duas semanas -, os pedetistas indicarão o candidato a vice-prefeito na chapa socialista, provavelmente o deputado federal José Roberto Batocchio (PDT-SP), presidente regional da legenda. O acerto faz parte da estratégia nacional do PDT de afastar-se do PT e preparar-se para a reforma política e as eleições de 2002, com a formação de uma "federação partidária" ou até fusão com outras legendas.
Ontem (17), Batocchio reuniu-se com o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, no apartamento do pedetista, em Copacabana, no Rio, para discutir a conjuntura paulistana. O comando do PDT está convicto de que, nos últimos dias, aumentou muito o afastamento entre pedetistas e petistas na capital do Estado. A denúncia de que Batocchio teria integrado o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) acirrou ainda mais no PDT os ânimos contra o PT. "É o denuncismo", reclamou um dirigente pedetista.
Também contribuiu para pôr o PDT nos braços do PSB o recente crescimento de Erundina nas pesquisas eleitorais.
Para fechar definitivamente o acordo, falta definir se o PDT terá candidato próprio ou se aceita indicar o vice na chapa do PSB. A possibilidade de Batocchio se lançar ainda não foi descartada. Se o parlamentar resolver não concorrer à prefeitura
o PDT deverá juntar-se ao PSB. Apesar de ser uma legenda pequena em São Paulo, o PDT levará para o PSB um pouco mais de tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. O apoio do PDT a Erundina é um revés para a candidatura da ex-deputada federal Marta Suplicy (PT-SP).
Além de São Paulo, o PDT trabalha para se coligar ao PSB pelo menos em Maceió, Recife, Belo Horizonte, Aracaju e Salvador. O partido de Brizola também quer formar uma federação partidária com PSB, PC do B e PCB, para enfrentar as futuras novas exigências da legislação eleitoral em relação ao funcionamento de partidos. A nova lei, em tramitação do Congresso, deverá criar, por exemplo, cláusulas de barreira - exigência de um mínimo de votos para que uma legenda tenha representação parlamentar. Seria mais fácil as cumprir numa federação.
A fusão PDT-PSB também não está descartada e, em 1999, foi discutida pelas duas legendas, que tinham até a nova sigla: PTS.
Ela poderá voltar a ser debatida, se as duas legendas se convencerem que é o único meio de sobreviver às novas normas.

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