Rio, 07 (AE) - O comando do PT fluminense reagiu mal à extinção de cinco secretarias estaduais decretada ontem (06) pelo governador Anthony Garotinho (PDT) como parte da reforma administrativa e política com que o pedetista pretende cortar mais de 30% dos cargos comissionados e equilibrar as contas do Estado. A executiva regional petista convocou para hoje à noite uma reunião com os secretários do Trabalho, Gilberto Palmares, e do Planejamento, Jorge Bittar, em que pretendia debater o que fazer ante à ameaça de perder cargos e espaço político na administração estadual.
"Não vamos discutir se fica (Antonio) Pitanga ou Gilberto (Palmares)", disse o presidente regional do PT, Domício Mascarenhas. Ele referia-se à alternativa apresentada ao partido por Garotinho, que quer fundir a pasta do Trabalho com a de Ação Social - essa ocupada por Pitanga -, o que reduziria o número de secretarias sob comando petista. Apesar de as secretarias extintas ontem serem do PDT, os petistas avaliam que a vez do PT, maior partido da frente no Estado depois do PDT, chegará. O governador não respondeu a um documento do partido sobre a reforma que lhe foi entregue pela legenda.
Foram extintas as Secretarias de Direitos Humanos e Cidadania, Extraordinária de Projetos Essenciais, de Assuntos Fundiários e de Comunicação Social e o Gabinete Militar.
Garotinho também criou o cargo de secretário-executivo do gabinete e, para o ocupar, designou o ex-secretário de Agricultura Luiz Rogério Magalhães. O novo secretário coordenará o trabalho de cinco gerentes de área, que ainda serão nomeados e aos quais os demais secretários ficarão subordinados. Esse último ponto, na prática, rebaixará os secretários, que temem ser esvaziados, o que tem gerado descontentamento.
"Essas gerências hierarquizam ainda mais (o governo), são mais duas instâncias entre os secretários e o governador, dificultando o acesso", disse Mascarenhas. "O governo também fica mais centralizado." Outro integrante da frente de esquerdas que apóia Garotinho, o PSB, também tem reservas em relação à reforma, embora se diferencie do PT.
"O PSB entende que a reforma é necessária, mas coloca em discussão a questão da gerência", diz o presidente regional da legenda, Alexandre Cardoso, também secretário de Saneamento. O partido, disse Cardoso, não teme perder espaço com a reforma, mas pretende se reunir para uma discussão na próxima semana. Reservadamente, os socialistas também questionam a validade da criação de gerências.

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