Curitiba - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, na tarde de ontem, o fim da paralisação dos fiscais, que já dura mais de dois meses, mas a informação foi desmentida pelo comando de greve. Os servidores, segundo a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência e Assistência Social (Fenasps), concordaram em levar a proposta do governo federal –que, em princípio, não agradou– para uma assembléia nacional, na terça-feira, em Brasília. Mas até lá, o movimento continua.
  O fim da greve seria um alívio para grandes hospitais de Curitiba como o Erasto Gaertner –especializado no tratamento de câncer– e Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ambos já enfrentam problema com a falta de medicamentos e materiais para exames clínicos, que vêm de fora do País e ficaram retidos nos portos e aeroportos por causa da paralisação. Os medicamentos e equipamentos importados dependem de liberação pelos fiscais da Anvisa.
  Por meio de nota, a Anvisa informou que enviará uma força-tarefa, composta por 66 funcionários, para o Porto de Santos e os aeroportos de Guarulhos e Viracopos, em São Paulo, e para o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro. Eles trabalharão de hoje a segunda-feira para agilizar os processos de fiscalização e liberação dos produtos. A Receita Federal e os agentes da Infraero também participam da ação.
  O fiscal da Anvisa no Porto de Santos e membro do comando de greve, Wellington do Nascimento Rodrigues, disse que o impasse maior é que o governo pediu o fim da greve para o início da negociação sobre o plano de carreira e a redistribuição de servidores da Anvisa cedidos para outros órgãos. Os fiscais até concordaram em retornar ao trabalho por 10 dias, desde que nesse período já houvesse sinalização concreta de negociação.
  Enquanto o impasse permanece, o diretor Clínico do HC, Celso Araújo, teme pelo agravamento da falta de remédios. Até ontem, o estoque de quatro deles havia zerado. São medicamentos para tratamento de câncer, prevenção de tromboses venosas e um anestésico específico para cirurgias mais complexas como transplantes e neurocirurgias. ‘‘Hoje tivemos que emprestar anestésico porque está programado um transplante de fígado para o feriado’’, lembrou.
  Outros produtos como solução de aminoácidos usada no preparo de alimentação parenteral estão para acabar. São consumidas cerca de 600 bolsas desse produto por mês. Já por causa da falta de kits para exames de hepatite e HIV, entre 80 a 100 pacientes já deixaram de ser atendidos. O HC faz 3 mil exames por dia.
  O Hospital Erasto Gaertner ficou sem dois medicamentos –Carmostina e Mitomicina– usados em quimioterapia. O remédio vinha sendo usado por dois dos pacientes e foram substiuídos. O maior problema é quanto aos materiais para tomografia. Cerca de 40 pacientes aguardam o resultado do exame por falta da chapa reveladora.

mockup