Comando de greve e a Andes divergem
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quinta-feira, 02 de julho de 1998
Betina Bernardes e Ana Lúcia Schettino Agência Folha 
As assembléias de professores universitários federais que começaram a ser realizadas ontem e prosseguem hoje em todo o País vão definir quem sairá vitorioso da queda-de-braço entre a nova diretoria da Andes (sindicato dos docentes) e o comando nacional de greve, que encabeça o movimento há 96 dias.
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, aposta no fim da greve na próxima semana. O movimento, insistiu ele, ontem no Rio, é claramente político. Com o projeto de gratificações aprovado no Senado, podemos ver que a maioria dos professores estava de acordo com o governo, afirmou.
O novo presidente da Andes, Renato de Oliveira, 44 anos, defende o fim do movimento grevista e está encaminhando essa orientação às assembléias. Ele afirma que há vitória no movimento. Além de conseguir reajustes entre 11% e 48% para ativos e aposentados (esses últimos recebem 60% do valor concedido aos da ativa), a Andes vai participar da comissão que vai elaborar os critérios de avaliação que definirão o valor da gratificação a ser recebida pelos professores na ativa. Além disso, obteve o compromisso escrito do governo de conceder um aumento de 10% no valor dessas gratificações após o período eleitoral.
Já o comando nacional de greve considera que esses ganhos não correspondem às reivindicações dos professores. Eles não aceitam que as gratificações sejam vinculadas à avaliação da produtividade do docente, rejeitam a exclusão dos professores de 1º e 2º graus da proposta de reajuste e querem a instalação imediata de uma mesa de negociações. Além disso, eles querem discutir, ainda em greve, com o ministério, a liberação de recursos para as universidades e concursos para preenchimento de 7.500 vagas.
O comando encaminhou às assembléias de professores um indicativo pela continuidade da greve e pede a unidade do movimento. Os dois grupos da direção do movimento já iniciaram uma guerra de informações. Segundo a Andes, cinco assembléias realizadas em universidades federais ontem haviam decidido pelo final do movimento, sem especificar se seria uma saída unificada.
Já o comando anunciava que, até o início da noite de ontem, seis instituições haviam votado pela proposta de saída unificada da greve na próxima semana, que são: as universidades federais de Goiás, do Rio de Janeiro, de Viçosa (MG), de Brasília, do Rio Grande (RS) e a Escola de Itajubá (MG).
As outras sete universidades federais que decidiram pela continuidade do movimento são as de Pernambuco, do Maranhão, do Mato Grosso, da Bahia, de Roraima, de Pelotas (RS) e a Rural de Pernambuco. Também está nessa lista o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais.
Na próxima segunda-feira está marcada nova rodada de assembléias nos Estados. Luís Carlos Pinheiro Machado Filho, um dos integrantes do comando de greve, informou que apenas duas universidades - Unifesp (Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Federal do Rio Grande do Norte(UFRN) - já voltaram às aulas.
Pinheiro afirma que, apesar do longo período de greve, os alunos não correm o risco de perder o semestre. Ele explicou que o ano letivo de 1998 poderá terminar em 1999. Ao final da greve, os conselhos universitários de cada instituição deverão elaborar o calendário de reposição das aulas.


