Belém, 31 (AE) - A prisão dos capitães da Polícia Militar Silva Júnior e Luiz Fernando Furtado, que vinham defendendo a paralisação total nos quartéis, esvaziou a tentativa de adesão da corporação à greve da Polícia Civil do Pará, que entra amanhã (01) no quarto dia. Na passeata realizada no início da tarde por delegados, investigadores e agentes da Polícia Civil, nenhum PM, fardado ou à paisana, foi visto na manifestação. No primeiro dia da greve, antes da prisão dos capitães, cerca de 5% dos 12, 8 mil policiais militares do Estado não foram aos quartéis trabalhar. "Para nós, da PM, essa greve nunca existiu", afirmou seu comandante-geral, coronel Faustino Neto.
O deputado Ivanildo Alves (PSB), ex-capitão da PM, criticou a "atitude autoritária " do coronel Faustino Neto, ao mandar prender os capitães Silva Júnior e Luiz Fernando Furtado. "O grande problema da PM do Pará, além dos baixos salários, é que o governador Almir Gabriel não dialoga com a classe", disse.
Hoje, em assembléia que reuniu 350 dos 1.960 policiais civis do Estado, foi decidida a continuação da greve até que o governo atenda suas reivindicações. A maioria dos postos policiais e delegacias de Belém continua fechada. A ordem dos policiais é não registrar ocorrências sobre crimes praticados na cidade, a não ser em casos especiais, como homicídios. Pessoas que comparecem às delegacias para denunciar terem sido vítimas de assaltos e roubos não estão sendo atendidas. A greve paralisa 80% dos policiais, segundo os líderes do movimento. O governo diz que apenas 30% dos policiais não comparecem ao trabalho.
Uma tentativa de acordo entre o comando de greve e os secretários de governo, Sérgio Leão e Carlos Kayath, acabou fracassando. "Quando vocês encerrarem a greve nos sentaremos para discutir", resumiu o secretário de Administração, Carlos Kayath, acrescentando que essa era a "posição definitiva do governo". O comando argumentou que a paralisação era a única alternativa dos policiais para forçar uma negociação.
A nova proposta dos grevistas, apresentada hoje ao governo, reivindica a manutenção do ponto dos que não comparecem ao serviço. A ordem para que o ponto dos faltosos seja cortado partiu do delegado-geral, João Moraes. Os policiais querem também que seja pago, já partir de abril, e não parceladamente em três anos, como oferece o governo, o reajuste de 100% da gratificação por dedicação exclusiva e tempo integral. O governo considera a proposta "inviável", alegando que a folha ficaria onerada em R$ 400 mil.

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