A greve dos caminhoneiros pode tomar outro rumo. ‘‘Até agora o movimento foi pacífico, mas, depois das informações de que o governo está gastando R$ 840 milhões para impedir a greve, poderemos partir para o bloqueio das rodovias’’, afirmou ontem José da Fonseca Lopes, vice-presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC).
Fonseca se referiu aos números divulgados pela imprensa de São Paulo anteontem. Segundo uma reportagem da Folha de S.Paulo, o Ministério da Justiça decidiu gastar R$ 346 milhões em gratificações por operações especiais ao policiais rodoviários, que ameaçavam deixar de multar e guinchar os caminhões que bloqueassem as pistas de rodovias.
Outros R$ 495 milhões seriam gastos com o aumento da margem de lucro para distribuidores e donos de postos de combustível na venda de óleo diesel. A concessão só foi feita após os comerciantes ameaçarem deixar de comprar o produto e, assim, engrossar o movimento dos caminhoneiros.
‘‘Isso está causando repulsa entre a categoria porque policiais rodoviários e donos de postos tiveram suas reivindicações atendidas. E nós?’’ questionou Fonseca.
O presidente do MUBC, Nélio Botelho, afirmou ontem que a entidade vai manter a greve ‘‘invísivel’’ de caminhoneiros autônomos iniciada segunda-feira em protesto contra os altos pedágios e os baixos fretes. Segundo ele, o governo federal classificou a paralisação como ‘‘invisível e fracassada’’ porque este ano não estão ocorrendo muitos tumultos, piquetes e bloqueios nas rodovias, como aconteceu em julho de 99.
‘‘O caminhoneiro não quer confronto; a maioria aderiu deixando os veículos parados’’, declarou. Ele acredita que as consequências serão sentidas nos próximos dias, com a falta de veículos para transportar as mercadorias. ‘‘Poderá haver desabastecimento de produtos’’, afirmou.
Segundo Botelho, a adesão nos estados do Sul (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina) e na Baixada Santista é de cerca de 90%. Para ele, a região Sul corre maior risco de desabastecimento. Em outros estados, de acordo com Botelho, aproximadamente 70% a 80% dos transportadores decidiram parar.
Segundo o sindicalista, o movimento de caminhões é muito baixo em Goiás, Mato Grosso e Espírito Santo. Botelho declarou que prosseguirá o protesto até que representantes do governo federal o chamem para um ‘‘diálogo’’.

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