CAMPINAS - O comandante geral da Polícia Militar no Estado de São Paulo, coronel Claudionor Lisboa, reuniu-se ontem, em Campinas, com oficiais e soldados da região para explicar a posição da corporação em relação à emenda constitucional do governador Mário Covas (PSDB), que limita as ações da PM. Lisboa, que já se manifestou contra as medidas, disse que a PM está aberta a mudanças, mas não de ‘‘forma precipitada’’.
O comandante da PM falou para 1,3 mil policiais no Quartel do Comando de Policiamento de Area da Região de Campinas. Apesar de reconhecer que ‘‘o estado democrático pressupõe o debate de idéias’’, Lisboa afirmou para a platéia que ‘‘o Comando Geral da Polícia Militar se posiciona contrário à proposta’’ do governador.
‘‘Reconhecemos, porém, que a corporação necessita, e a sociedade exige, reprogramar os seus objetivos institucionais’’, disse o comandante da PM. Apesar de se posicionar contra a proposta do governador, Lisboa disse que ‘‘o Comando Geral da PM tem a plena e inabalável convicção de que precisa mudar, urgentemente, para benefício de todos os cidadãos’’.
Falando em tom diplomático, Lisboa disse que a proposta do governador é bem-vinda e ‘‘deve constituir num alerta e num estímulo a todos nós, policiais militares e civis’’. Segundo ele, ‘‘é dever de todos os cidadãos fardados garantir e participar da discussão pública, contribuindo com as suas propostas para quebrar paradigmas e eliminar preconceitos’’.
Para Lisboa, porém, ‘‘competirá a esta sociedade eleger, no Congresso Nacional, o modelo de polícia ideal’’. O comandante também conclamou os policiais a se esforçarem para melhorar a imagem da corporação. ‘‘Urge que se entenda a Polícia Militar como braço forte garantidor das liberdades individuais e da cidadania, e não mais como o braço repressor do Estado’’, afirmou em seu discurso.
Em tom de desabafo, o comandante da PM disse frases como ‘‘A Polícia Militar não é um repositório de covardes e desleais’’ e ‘‘A Polícia Militar não é um repositório de apáticos e soberbos’’. Lisboa terminou seu discurso recomendando aos policiais ‘‘serenidade, calma, disciplina, e união’’.
Ofendido - O comandante da Polícia Militar de Campinas, João Antonio Braz Neto, 49, afirmou ontem que o governador Mário Covas (PSDB) ‘‘ofendeu’’ a PM. Segundo ele, isso teria acontecido quando Covas disse que a corporação teria de passar por testes de capacidade e idoneidade para integrar a polícia unificada, proposta como solução para evitar os abusos cometidos pela polícia. Na opinião do comandante, tirar o patrulhamento ostensivo da Polícia Militar e repassá-lo à Polícia Civil não resolve o problema da criminalidade no Estado. ‘‘As duas polícias se complementam. Se a Polícia Militar não é a ideal, ela deve ser reformulada e não desmontada’’, disse. Braz Neto afirmou que a PM vai exercer lobby sobre deputados e senadores para que eles não aprovem o projeto proposto por Covas, que está sendo analisado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ele disse também acreditar que uma nova proposta possa surgir com os necessário, no momento, é rever o papel institucional de cada corporação policial existente.
Ele fez as declarações depois do discurso do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Claudionor Lisboa.
A Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Estado de São Paulo divulgou um manifesto contra a emenda constitucional proposta pelo governador Mário Covas para se criar uma ‘‘nova polícia’’. ‘‘Vamos tentar barrar esse projeto na Câmara e no Senado, de qualquer forma’’, disse o presidente da associação, Laércio da Silva Guellis. Segundo ele, deve-se ‘‘melhorar a polícia que está a풒.

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