Comando admite que PM precisa mudar
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terça-feira, 29 de abril de 1997
Das agências, de Campinas 
CAMPINAS - O comandante geral da Polícia Militar no Estado de São Paulo, coronel Claudionor Lisboa, reuniu-se ontem, em Campinas, com oficiais e soldados da região para explicar a posição da corporação em relação à emenda constitucional do governador Mário Covas (PSDB), que limita as ações da PM. Lisboa, que já se manifestou contra as medidas, disse que a PM está aberta a mudanças, mas não de forma precipitada.
O comandante da PM falou para 1,3 mil policiais no Quartel do Comando de Policiamento de Area da Região de Campinas. Apesar de reconhecer que o estado democrático pressupõe o debate de idéias, Lisboa afirmou para a platéia que o Comando Geral da Polícia Militar se posiciona contrário à proposta do governador.
Reconhecemos, porém, que a corporação necessita, e a sociedade exige, reprogramar os seus objetivos institucionais, disse o comandante da PM. Apesar de se posicionar contra a proposta do governador, Lisboa disse que o Comando Geral da PM tem a plena e inabalável convicção de que precisa mudar, urgentemente, para benefício de todos os cidadãos.
Falando em tom diplomático, Lisboa disse que a proposta do governador é bem-vinda e deve constituir num alerta e num estímulo a todos nós, policiais militares e civis. Segundo ele, é dever de todos os cidadãos fardados garantir e participar da discussão pública, contribuindo com as suas propostas para quebrar paradigmas e eliminar preconceitos.
Para Lisboa, porém, competirá a esta sociedade eleger, no Congresso Nacional, o modelo de polícia ideal. O comandante também conclamou os policiais a se esforçarem para melhorar a imagem da corporação. Urge que se entenda a Polícia Militar como braço forte garantidor das liberdades individuais e da cidadania, e não mais como o braço repressor do Estado, afirmou em seu discurso.
Em tom de desabafo, o comandante da PM disse frases como A Polícia Militar não é um repositório de covardes e desleais e A Polícia Militar não é um repositório de apáticos e soberbos. Lisboa terminou seu discurso recomendando aos policiais serenidade, calma, disciplina, e união.
Ofendido - O comandante da Polícia Militar de Campinas, João Antonio Braz Neto, 49, afirmou ontem que o governador Mário Covas (PSDB) ofendeu a PM. Segundo ele, isso teria acontecido quando Covas disse que a corporação teria de passar por testes de capacidade e idoneidade para integrar a polícia unificada, proposta como solução para evitar os abusos cometidos pela polícia. Na opinião do comandante, tirar o patrulhamento ostensivo da Polícia Militar e repassá-lo à Polícia Civil não resolve o problema da criminalidade no Estado. As duas polícias se complementam. Se a Polícia Militar não é a ideal, ela deve ser reformulada e não desmontada, disse. Braz Neto afirmou que a PM vai exercer lobby sobre deputados e senadores para que eles não aprovem o projeto proposto por Covas, que está sendo analisado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ele disse também acreditar que uma nova proposta possa surgir com os necessário, no momento, é rever o papel institucional de cada corporação policial existente.
Ele fez as declarações depois do discurso do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Claudionor Lisboa.
A Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Estado de São Paulo divulgou um manifesto contra a emenda constitucional proposta pelo governador Mário Covas para se criar uma nova polícia. Vamos tentar barrar esse projeto na Câmara e no Senado, de qualquer forma, disse o presidente da associação, Laércio da Silva Guellis. Segundo ele, deve-se melhorar a polícia que está aí.


