Comandantes são exonerados na Bahia
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2002
Agência Folha 
Agência Folha
Salvador - O governador da Bahia, César Borges (PFL), exonerou três comandantes de batalhões da Polícia Militar de Salvador. Os tenentes-coronéis Ademir Pinheiro dos Santos e Manoel Nascimento Patrício e o major Ademauro Evangelista Xavier comandavam os batalhões onde ocorreram rebeliões de policiais anteontem. A decisão será publicada no Diário Oficial do Estado.
O governo e o comando da PM sufocaram o movimento grevista iniciado anteontem, em Salvador, e acabaram com o aquartelamento de soldados em três batalhões. Ontem o comando solicitou a prisão de 20 militares identificados como líderes do movimento.
Inconformados com as prisões de cinco colegas, que estariam convocando policiais para uma assembléia, via rádio, cerca de 1.300 policiais do 8º e 5º Batalhões e da 40º Companhia Independente paralisaram completamente as suas atividades anteontem. Além da libertação de cinco colegas que estão presos, policiais civis e militares da Bahia reivindicam um salário-base unificado de R$ 1.200,00.
Atualmente o menor salário pago pela PM baiana é de R$ 732,00. Já a Civil paga um mínimo de R$ 847,00. Os dois valores incluem gratificações. A Polícia Civil também aderiu ao movimento e realizou uma espécie de Operação Tartaruga na capital.
Para retomar o comando nos três batalhões, anteontem, o comando da PM usou a Tropa de Choque. Houve troca de tiros no 8º Batalhão e uso de bombas de gás. Ninguém se feriu, segundo o comando. Depois de usar a força para acabar com a greve de parte da PM de Salvador, o comandante-geral da corporação, coronel Jorge Luiz de Souza Santos, encaminhou à Corregedoria da PM um documento solicitando a prisão preventiva de 20 policiais militares, acusados de liderarem o movimento.
De acordo com o comando da PM, todos os líderes da greve estão foragidos. Depois que o juiz autorizar as prisões preventivas, vamos caçá-los em todo o Estado, disse o relações públicas da PM, tenente-coronel Silva Filho. Apesar de o comandante-geral informar que a situação está controlada e descartar a possibilidade de uma nova greve, os líderes do movimento informaram ontem que a mobilização está mantida.
O governo mente ao dizer que cumpriu todas as promessas. Estamos mobilizados e, até o Carnaval, vamos mostrar a nossa força, disse o presidente do Sindicato dos Policiais Militares da Bahia, Agnaldo Pinto.
Dentro dos quartéis a insatisfação de vários policiais aumentou por causa da reação dura do governo baiano à quartelada. O que ocorreu nesse início de semana é apenas o começo, disse um dos integrantes do movimento.
O policiamento nas ruas de Salvador foi normal ontem, com o reforço de 500 soldados de Juazeiro e Ilhéus.


