Comandantes das PMs querem salário de R$ 1 mil para soldado
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Hugo Marques (especial para a AE) 
Brasília, 30 (AE) - Os comandantes das Polícias Militares de todo o País estiveram reunidos nos últimos dois dias em Brasília para discutir uma pauta de reivindicações que inclui salário médio de R$ 1 mil, a continuidade da militarização das corporações, a instituição de uma política social e maior distribuição de renda. Segundo o presidente do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais da PM e do Corpo de Bombeiros, coronel Luiz Fernando de Lara, os policiais ganham salários que variam entre 300 e 800 reais no País.
Participaram da reunião 86 comandantes e presidentes de associações de 32 corporações brasileiras, representando 500 mil policiais militares e bombeiros. Ao fim da reunião, o conselho divulgou uma declaração ao povo brasileiro, com uma análise da conjuntura nacional, mas sem incluir todos os pontos da reivindicação.
Lara, que é comandante da PM do Paraná, disse que apenas os policiais do Distrito Federal ganham salários de R$ 1 mil. Ele disse que aumentar os salários é pré-condição para melhorar a política de segurança no País. Segundo ele, os militares concluíram que a deterioração da segurança pública em todo o País está associada à falta de uma política social do governo federal e à inexistência de política de distribuição de renda.
Querem ainda aumentar o número de PMs. Além da luta pelos melhores salários, Lara disse que os militares irão fazer "lobby ferrenho" contra quaisquer propostas de desmilitarização das polícias militares. O coronel disse que acabar com a desmilitarização é uma forma de permitir a sindicalização e dificultar o controle das tropas. "Imagine a PM de São Paulo parada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores)", disse ele. Lara afirmou que os militares são contra o fim da Justiça Militar, uma das propostas incluídas na reforma do Judiciário, por entenderem que é mais ágil. O coronel disse que os militares que mataram 19 sem-terra em Eldorado do Carajás (PA), em abril de 1996, estariam todos presos se tivessem sido julgados pela Justiça Militar. "O pessoal do Pará errou no planejamento e está solto porque o julgamento está sendo feito por júri popular", disse.
Na "declaração ao povo brasileiro", os policiais mostram-se preocupados com a proposta de criação de uma polícia comunitária e com a tese do ministro da Justiça, José Carlos Dias, de instituir o chamado "direito penal mínimo". Os militares acreditam que isto vai incentivar a criminalidade "pela certeza da impunidade". Os policiais sugerem que o governo federal institua uma política nacional de segurança pública, regulamentando dispositivos constitucionais que falam sobre o tema.


