Comandante passa cargo e critica venda de aeroportos
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terça-feira, 21 de dezembro de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 21 (AE) - Os demorados e longos aplausos foram a marca da concorrida cerimônia de despedida do comandante da Aeronáutica, Walter Werner Bruer, na Base Aérea de Brasília. Na presença do ministro da Defesa, Élcio álvares, Bruer criticou, no discurso, a venda dos aeroportos e das ações da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e a criação da Agência Nacional de Aviação Civil, afirmando que ela "não deve servir a interesses de grupos alienígenas que buscam, por intermédio do lucro fácil, garantir seus obtusos e particulares objetivos".
O ex-comandante condenou ainda a falta de recursos para a Aeronáutica e as "modestas promessas e pálidas iniciativas" para reequipá-la. Os recursos, observou, são "minimamente aceitáveis". Bruer avisou que "persiste alinhado com aqueles que acreditam que o País deva crescer mantendo os seus valores, inclusive a Aeronáutica, fora do grande empório, ornamentado de um sem-fim de lábaros, que nunca desejamos para o nosso Brasil".
Bruer externou a mágoa com os dois outros comandantes militares - general Gleuber Vieira, do Exército, e Sérgio Chagastelles, da Marinha, também presentes à cerimônia - que não o apoiaram na demissão, deflagrada depois das críticas feitas em relação à conduta da ex-assessora especial do ministro da Defesa
Solange Antunes. "Não me cabe interpretar o silêncio das demais instituições nacionais", atacou.
O novo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista, não reconheceu como críticas as palavras de Bruer e nem acredita que possa servir para alimentar as insatifações dos militares. "Se achamos que haverá um incêndio, não estaremos agindo como democratas e ele aproveitou a oportunidade para dizer o que estava no seu coração, na sua cabeça", justificou o brigadeiro. Ele ressaltou que é preciso "respeitar a dor de um homem que, de repente, se viu substituído um pouco traumaticamente".
Bruer defendeu o uso "parcimonioso" dos jatos da Força Aérea Brasileira (FAB) pelos ministros e declarou que essa missão da Aeronáutica "nunca foi bem compreendida". Ele disse também, que "se enganam os que julgam que a Aeronáutica é, por princípio, contrária à participação da iniciativa privada" na gerência dos aeroportos. "É notório, entretanto, que as propostas até então apresentadas só cobiçam aqueles aeroportos que auferem lucro, desconhecendo a maior parte do todo", criticou o brigadeiro.
Baptista, por sua vez, explicou que entende a preocupação de Bruer e defende tranquilidade para essa transição. "Temos poucos aeroportos superavitários e 300 deficitários", informou.
O novo comandante disse que os oficiais da Aeronáutica sempre souberam que, um dia, o controle da aviação civil sairia da Força Aérea, como ocorre na maioria dos países do mundo. "Quero saber quais os conflitos que existem", disse ele. "Edificar a aviação civil, que é uma das mais respeitadas do mundo, custou sangue, suor e lágrimas", afirmou ele, justificando a preocupação dos oficiais de que essa passagem seja feita "com segurança".
Baptista defendeu o reequipamento da Força e disse que os planos traçados pelo Estado-Maior da Aeronáutica prevêem desembolso de US$ 2 bilhões. Segundo ele, essa é a meta principal, uma vez que a força está em "progressiva obsolescência".
O novo comandante não quis comentar as acusações contra a ex-assessora de álvares. "Nesses três anos de comando da Aeronáutica, minha função é operacional", disse ele, lembrando que, quando o cargo era de ministro, o ocupante do posto tinha direito de emitir opiniões políticas. "Hoje, existe um ministro da Defesa."


