Comandante nega presença de integrantes de facções criminosas
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terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Lúcio Flávio Moura <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - O comandante da Polícia Militar do Paraná, o coronel Roberson Luiz Bondaruk, descartou ontem que as 12 áreas conflagradas que receberam unidades Paraná Seguro abriguem integrantes de facções criminosas de outros estados. Encontramos nestas áreas um nível de organização do crime muito menor do que nos grandes centros, afirmou. E também não temos nenhuma informação que os criminosos destes bairros têm ligação com comparsas que estão presos.
Entretanto, o coronel ponderou que a criminalidade em Londrina tem características diferentes de outras regiões do estado, inclusive das 10 áreas ocupadas pelo policiamento comunitário na capital e no Jardim Interlagos, zona norte de Cascavel, primeiro bairro a receber a unidade no interior.
Em Londrina, há algumas característica da criminalidade que se pratica em São Paulo. O que certamente está ligada a influência cultural de São Paulo na Região Norte, analisou. Aqui há muitas apreensões das chamadas armas longas e também de conflito de quadrilhas rivais de bairros diferentes, como o que está se desenrolando na zona oeste, explicou.
O comandante também defendeu que a concentração de policiais numa região não provoca efeitos colaterais no quadro de segurança global da cidade. Ele admitiu que há um transbordamento de algumas ocorrências para bairros vizinhos, mas que não há nenhuma base científica para se afirmar que as UPSs desestabilizam a situação em outras regiões.
Quanto ao possível desfalque no policiamento de algumas áreas da cidade decorrente do esforço de ocupação das áreas conflagradas, o coronel afirmou que o efetivo convencional não é deslocado para a ação. Ele disse que a ocupação é feita com as forças complementares e com efetivo específico e treinado para o policiamento comunitário.
Sem unanimidade
Em Cascavel, a UPS completa dois meses de funcionamento na véspera de Natal e a ocupação do Jardim Interlagos ainda não é uma unanimidade para alguns analistas. A doutora em Ciências Políticas e professora da Universidade Estadual do Oeste (Unioeste), Rosana Nazzari, as mortes de adolescentes continuam se sucedendo em áreas muito próximas da ocupação.
Ainda não dá pra fazer uma avaliação consistente mas o que pode-se dizer é que o governo do Estado deve fazer investimentos em educação, saúde, lazer e esportes para uma faixa etária muito vunerável, a dos adolescentes de 12 a 18 anos, afirmou. A política pública não pode ser transversal, como está sendo feito na minha opinião. Investir apenas em segurança, em policiamento, não vai resolver o problema de vez. A prioridade é atacar a falta de oportunidades para esta população jovem que vive nas regiões mais carentes.
O Jardim Interlagos, em Cascavel, tem cerca de 12 mil habitantes e registrou 55 homicídios de janeiro de 2011 a setembro de 2012, um índice de homicídios (173 por grupo de 100 mil habitantes) muito maior que a média nacional (27) e estadual (34).


