Comandante militar do Paquistão não dá sinais de que entregará poder
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terça-feira, 12 de outubro de 1999
Por Kathy Gannon 
Islamabad, 13 (AE-AP) - O golpe militar que derrubou o governo eleito do Paquistão representa uma pequena mudança para milhões de paquistaneses. Mas a perspectiva de um país governado por militares com armas nucleares provoca grandes preocupações no exterior - principalmente na Índia.
A Índia colocou hoje suas Forças Armadas em alto alerta depois que o general Pervaiz Musharraf tomou o poder na terça-feira, depois de um ressentimento que foi amadurecendo de que o governo civil recuou no conflito com a Índia sobre a disputada região fronteiriça da Caxemira.
Mas um porta-voz do exército paquistanês, que classificou as preocupações da Índia de "ridículas", acusou seu vizinho nuclear de alimentar uma histeria mundial.
"Acho que as ações da Índia são totalmente absurdas, colocando suas forças em alerta... como se o Paquistão fosse tentar precipitar uma guerra", disse à Associated Press o brigadeiro Rashid Quereshi.
A Índia e o Paquistão, que promoveram testes nucleares competitivos no ano passado, já travaram três guerras, duas delas por causa da Caxemira nos últimos 50 anos, e se envolveram em escaramuças por causa do dividido território himalaio na começo deste ano.
Um veterano de duas guerras contra a Índia, Musharraf já serviu na disputada fronteira da Caxemira com a Índia.
Analistas temem que o golpe de Estado no Paquistão prejudique a retomada das conversações de paz entre os dois conflituosos vizinhos.
O porta-voz do Pentágono, Kenneth Bacon, buscou diminuir as preocupações com o programa de armas nucleares do Paquistão, dizendo em Washington que o golpe não mudou a situação desde que o controle do programa de armas sempre esteve nas mãos dos militares.
Desde que liderou o golpe na terça-feira e colocou o afastado primeiro-ministro Nawaz Sharif em prisão domiciliar na capital federal de Islamabad, Musharraf ainda não deu pistas sobre seus planos.
Mas ele passou a maior parte do dia de hoje reunindo-se com vários tipos de pessoas, incluindo políticos, alimentando especulações de que ele pode tentar forjar uma administração de ex-políticos e tecnocratas para governar por um período prolongado.
"Sinceramente, ele tem se reunido com muitas pessoas... ele foi ver o presidente também e muitos outros convidados se encontraram com ele", disse Quereshi. Ele não quis informar, entretanto, o que foi discutido nas reuniões.
O golpe ocorreu uma hora depois que Sharif anunciou que havia demitido Musharraf do cargo de comandante das Forças Armadas.
Tropas saíram rapidamente às ruas nas principais cidades. Muitos paquistaneses dançaram nas ruas e agitaram bandeiras, celebrando a derrubada de um primeiro-ministro que era cada vez mais impopular por causa da deterioração da economia e sua constante luta pelo poder com oponentes políticos e os militares.
Num discurso televisionado à nação na manhã de hoje, Musharraf
vestindo um uniforme de comando ao invés de seu formal uniforme de comandante das Forças Armadas, acusou o governo de Sharif de "destruir sistematicamente" instituições do Estado e levar a economia para o colapso.
"Gostaria de informar a vocês que as Forças Armadas agiram como único recurso para evitar uma maior desestabilização", disse Musharraf.
O general pediu por calma e prometeu "muito em breve" anunciar seus planos para o futuro do Paquistão. Ele não entrou em detalhes.
Não ficou claro se ele irá respeitar a constituição paquistanesa, que determina a realização de eleições dentro de três meses depois do afastamento de um governo do poder, se irá indicar uma administração interina de tecnocratas e ex-políticos
ou se assumirá ele próprio o poder.
Sharif vinha sendo acusado de tentar consolidar seu poder enfraquecendo instituições, como o judiciário e governos provinciais. Ele também era acusado de usar táticas truculentas para suprimir protestos da oposição.
Os militares têm governado o Paquistão por 25 anos de seus 52 anos de existência. O último ditador militar, general Mohammed Zia-ul Haq, governou por 11 anos com mão de ferro. Sua morte, em 1988, abriu caminho para o retorno da democracia no Paquistão.


