Recife - O comandante do navio Cebu, de bandeira liberiana, Rodolfo Rectra, foi indiciado ontem, pela Polícia Federal (PF), por crime de omissão de socorro. O seu navio estava fundeado próximo ao navio chinês Tu King, que jogou ao mar, semana passada, seis africanos que viajavam clandestinos, e embora tenha visto os rapazes e tivesse condições de socorrê-los, não o fez.
De acordo com a assessoria de imprensa da PF-PE, Rectra reconheceu, em seu depoimento, prestado ontem, que poderia ter socorrido os jovens, preferindo se omitir por medo de se tratar de clandestinos o que poderia trazer problemas, sendo acusado de imigração irregular ou de piratas. Para a Polícia, o argumento é falho, porque se ele tivesse entrado em contato com seu agente, em terra, e explicado o caso, a polícia não iria prejudicar a tripulação e sua embarcação por prestação de socorro.
O comandante foi liberado depois de depor. Já o comandante do Tu King, Xu Chang Quan, preso deste sábado na sede da PF, por tentativa de homicídio e transporte de clandestinos, foi transferido ontem para um Centro de Triagem, onde terá direito a prisão especial.
Os oito africanos que viajavam no Tu King, todos da República da Guiné, e outros dois da Costa do Marfim, que se apresentaram na Polícia Federal na sexta-feira, estão sob custódia policial. Nove deles em um hotel e um no Hospital da Restauração, onde se recupera de uma fratura no braço. Ainda não há data definida para repatriação.

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