Recife - A Polícia Federal (PF) indiciou ontem, em Recife, o comandante do navio cargueiro de bandeira chinesa Xu Chang Quan, 42 anos, por suposta tentativa de homicídio e introdução clandestina de estrangeiros no Brasil. Quan teria ordenado, quarta-feira, o espancamento de seis africanos que estariam viajando clandestinamente na embarcação. Próximo ao Litoral pernambucano, o grupo teria sido jogado ao mar. Eles foram resgatados por um pescador.
Outros dois africanos que também estariam viajando irregularmente no mesmo cargueiro teriam pulado do navio ao ver o espancamento. Eles foram encontrados na praia de Brasília Teimosa (zona sul), a cerca de seis quilômetros do porto. Em depoimento à PF, o acusado negou os crimes. Disse que ninguém entrou no cargueiro sem a sua autorização e que a viagem da África ao Brasil foi ''tranquila e sem incidentes''.
O delegado Daniel Granjeiro, entretanto, não considerou satisfatórias as explicações. Além de indiciar o comandante, ele determinou a realização de uma inspeção na embarcação e a reconstituição dos supostos crimes. Pesou na decisão do delegado não apenas os depoimentos dos africanos, mas também a declaração do comandante de um outro navio, que teria visto dois homens sendo jogados ao mar.
Segundo a Polícia Federal, esse comandante, cujo nome não foi divulgado, afirmou que fez um alerta por rádio à tripulação do cargueiro sobre o crime, mas que a resposta foi ''não, não''. O cargueiro ''Tu King'', que atracou na noite de quinta-feira no porto de Recife, após cumprir o período de quarentena sanitária, não poderá deixar o local sem autorização da Justiça.
De acordo com a PF, os oito africanos deverão ser repatriados à República da Guiné, na África, país de origem de todos eles. Isso significa que o responsável por trazê-los ao Brasil terá de arcar com os custos da viagem de volta.

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