Comandante da PM quer dispensados do serviço militar na administração
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 03 (AE) - O novo comandante-geral da Polícia Militar
coronel Rui César Melo, quer acabar com policiais no serviço administrativo, substituindo-os por jovens dispensados do serviço militar por excesso de contingente. Também aposta no videocassete como arma para instruir os 83 mil homens da corporação e nas estatísticas e na informática para controlar o desempenho da PM.
Casado e pai de dois filhos, Melo revolta-se quando ouve alguém dizer que a Rota deve ir para a rua. "É como se a polícia fosse tratada como um cachorro bravo", diz. "Eu amordaço o cachorro ou solto; não é por aí." E conclui: "Não admito esse tipo de tratamento com a Polícia Militar." Melo não revela quais serão seus auxiliares. Formado em Economia, é professor de Polícia Comunitária na Academia de Oficiais da PM. AE - Como será a PM em seu comando? Rui César Melo - Em primeiro lugar, os policiamentos preventivos e ostensivos serão potencializados ao máximo com os recursos da própria corporação. Existe o projeto de usar nos serviços internos os jovens dispensados do serviço militar por excesso de contingente. Com isso, os policiais que estão nessas funções poderão ser usados no patrulhamento das ruas. Deveremos ainda ter um número de companhias da PM igual ao de distritos policiais em São Paulo. Hoje, temos 72 companhias e 93 delegacias. Com a união dos batalhões femininos aos já existentes, esperamos criar seis novos batalhões na cidade, com 21 novas companhias. AE - A 2.ª Seção do Estado-Maior, o serviço reservado, que participa do planejamento de operações com a Polícia Civil, foi desarticulado no começo da gestão Covas. Pretende retomá-la? Melo - A 2.ª seção foi remontada no comando do coronel Carlos Alberto de Camargo. O serviço reservado está visando aspectos criminais. Vamos intensificar a troca de informações entre as duas polícias para que uma complemente o trabalho da outra. Será fundamental esse trabalho integrado, até no combate ao tráfico de drogas. O crack será o alvo número 1. AE - Mas o comando-geral da PM e a delegacia-geral têm como vizinha uma região conhecida como Cracolândia... Melo - Esse vizinho nos envergonha. Só a polícia não será suficiente para resolver o problema. Não podemos pôr um policial em cada esquina. É preciso ação integrada das duas policiais, de outros órgãos da administração pública e da sociedade civil AE - A PM sempre foi criticada por seu corporativismo. Melo - Ele deve servir para elevar o nível do serviço e nunca para defender maus policiais. Ao contrário, deve servir para excluí-los. Não admito comportamentos sem ética e profissionalismo. AE - Como pretende usar as queixas da população? Melo - Aproveitamos as mais emblemáticas para produzir um vídeo e mostrar para a tropa. O policial chega a cada companhia e, semanalmente, suas mensagens são trocadas. Elas são técnicas e mostram o caráter social da ação policial. Com isso, a atuação da PM mudou. O número de queixas violentas diminuiu sensivelmente. AE - Como o senhor pretende usar estatísticas? Melo - Primeiro, a estratégia é reduzir a área geográfica das companhias e das patrulhas, aumentando o controle e a eficácia de nossa ação. Com a informatização do sistema e com o detalhamento das estatísticas poderemos controlar o que está acontecendo. Caso o crime aumente numa área, daremos apoio ao comandante. Caso não funcione, reciclaremos o comando.


