Curitiba, 07 (AE) - O presidente do Conselho Nacional de Comandantes Gerais das Polícias Militares, coronel Luiz Fernando de Lara, criticou hoje, na abertura do 19º encontro da organização, o Ministério da Justiça, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, a Comissão de Direitos Humanos e o Grupo de Trabalho de Avaliação do Sistema de Segurança Pública. "Nada fizeram além de alardearem, intitulando-se salvadores da pátria, ocupando a mídia nacional para se autopromoverem diante das mazelas sociais e de infelizes acontecimentos em que se envolveram algumas corporações", disse.
Segundo Lara, que comanda a PM paranaense, esses organismos "mostraram ao Brasil todo seu desdém e toda sua falta de preocupação com os problemas e com as idéias que lhes foram encaminhadas". Uma carta será elaborada na sexta-feira, quando se encerra o encontro, que acontece em Curitiba. Nela serão abordados os assuntos em debate, entre eles a violência, a integração das polícias no combate ao crime e a valorização dos direitos humanos nas atividades policiais.
Quase dois anos após terem sugerido a criação do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo de Reequipamento e Modernização das polícias, os comandantes reclamam que nada foi feito. "Que nos seja apresentado um único resultado concreto, uma única proposta para se pôr em prática, que nos demonstrem minimamente que eles ao menos trabalharam e que estavam um pouco preocupados com as questões ligadas à segurança pública", desafiou o coronel Lara.
Segundo ele, o problema de segurança pública é grave e preocupa os comandantes-gerais. "Mas precisamos de ajuda", pediu. Lara entende que será mais barato o governo federal investir na recuperação dos meninos de rua do que esperar que eles se transformem em bandidos. Em seu discurso na abertura do encontro, ele conclamou os policiais a estarem "sempre alertas aos desajustes sociais que encurralam o cidadão para dentro das grades, enquanto perambulam livres os mercadores da desgraça e do crime."
Ele também criticou a proposta de unificação das polícias civil e militar, classificando a emenda que tramita no Congresso de "esdrúxula e até imbecil". "O que defendemos é a integração dos trabalhos policiais", disse. "Nós existimos, somos militares constitucionalizados, que ninguém mais ouse duvidar disso, pois quem tentar fazê-lo encontrará, como resposta, corporações aguerridas, com lutadores ferrenhos e dispostos a dar a própria vida, se necessário, para a sobrevivência da instituição que tanto ama."

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