João Pessoa, 24 (AE) - O comandante da Polícia Militar da Paraíba, coronel Ramilton Cordeiro, excluiu hoje pela manhã mais 50 soldados, cabos e sargentos de dois batalhões militares sediados em João Pessoa, que participam da greve da corporação por melhores salários, que dura 17 dias.
De acordo com o secretário de Comunicação Social da Paraíba, Luiz Augusto Crispim, amanhã (24) será divulgada nova relação com os nomes de 78 militares considerados desertores, segundo os Artigos 42 da Constituição Federal e 49 do Código Penal Militar.
Cordeiro disse que, de acordo com a lei, será considerado desertor o militar que se ausentar da unidade de trabalho por mais de oito dias. "Tudo que fiz foi cumprir a lei", disse o coronel, para quem os grevistas querem impor e insistem em condicionar o fim do movimento à implementação do escalonamento vertical, uma lei aprovada pela Assembléia Legislativa em 1997.
A partir de segunda-feira (27), o governo estadual vai convocar 400 candidatos aprovados recentemente em concurso para a PM.
"A ordem pública é o objetivo prioritário do governo", disse Crispim, ao condenar a intransigência do comando de greve, que transformou os grevistas em "massa de manobra", de acordo com ele.
O comando de greve reuniu-se hoje pela manhã e decidiu apresentar uma nova proposta ao governo, desvinculando-a do escalonamento vertical, que beneficiaria os militares com um reajuste em cascata de 46,8%. Os grevistas aceitam uma gratificação de 100 reais para soldados até coronéis, mas o governo se fixou num abono entre 60 reais e 120 reais.
O sargento Onildo Rodrigues, principal líder do movimento, disse que o governo tem tudo para acabar com a greve, a partir da disposição dos grevistas em negociar. "Radical é o governo", disse Rodrigues, que foi enquadrado nos Artigos 149, 152, 154 e 156 do Código Penal Militar, acusado pelo Ministério Público (MP) dos crimes de motim, conspiração, aliciamento e excitamento da ordem pública.

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