Comandante da Força Aérea explica como Otan bombardeou civis
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Paul Ames 
Bruxelas, 19 (AE-AP) - A Otan tentou jogar luz hoje (19) num mistério de cinco dias, usando dramáticas imagens de vídeo e o relato de um oficial da Força Aérea dos EUA para explicar como aviões aliados podem ter bombardeado veículos de refugiados civis durante ataques no sudoeste de Kosovo.
Foi a primeira vez que a Otan admitiu ter atingido dois comboios que possivelmente tinham a participação de civis.
"Pode bem ser que tenhamos causado danos a um veículo civil e intencionalmente ferido civis", disse o brigadeiro-general Dan Leaf, comandante da 31ª Ala Expedicionária Aérea que está voando sobre Kosovo de sua base em Aviano, Itália.
Leaf disse que é impossível determinar como muitos civis podem ter sido atingidos por bombas da Otan no ataque que o piloto acreditava era contra veículos militares iugoslavos. Mas ele apontou para discrepâncias entre as evidências da Otan e as acusações sérvias de que aviões aliados mataram mais de 80 refugiados albaneses étnicos nos incidentes da última quarta-feira.
Leaf afirmou que repórteres levados ao local disseram que refugiados aparentemente foram mortos com metralhadoras ou por disparos de morteiros. Ele insistiu que os aviões envolvidos nos ataques não usaram tais armas.
"Eu não posso explicar os corpos mostrados na tevê sérvia", afirmou Leaf numa entrevista coletiva na sede da Otan. Ele disse que houve relato de refugiados na área sugerindo que militares sérvios podem ter se voltado contra civis que estavam na parte de trás do comboio depois que a Otan alvejou veículos militares na frente.
Leaf afirmou que muitos dos corpos mostrados "não parecem ter sido vítimas de bombardeio". Ele disse que refugiados entrevistados por observadores internacionais fora de Kosovo também falaram sobre aviões do tipo MiG voando a baixa altitude e helicópteros atacando comboios civis na área.
O incidente tem assombrado a campanha aérea da Otan desde que a televisão sérvia transmitiu horrorosas imagens de corpos civis desmembrados e tratores danificados, e depois escoltou jornalistas internacionais para o local nas proximidades da cidade kosovar de Djakovica.
Apesar de a Otan ter reconhecido no dia seguinte que pelo menos um de seus aviões tinha atingido pelo menos um dos veículos civis e ter se desculpado pelas vítimas civis, a inabilidade da aliança em oferecer uma completa explicação sobre o segundo incidente atraiu uma chuva de críticas.
Tentando esclarecer a confusão, Leaf, um piloto com experiência pessoal em missões de combate em Kosovo, ofereceu um relato detalhado dos ataques da Otan aos dois comboios nas proximidades de Djakovica num período de mais de duas horas daquela tarde.
No primeiro, pilotos viram o que acreditaram ser unidades militares ou paramilitares sérvios queimando casas ao norte de Djakovica. Quatro jatos F-16 fizeram dois ataques a partir de altas altitudes contra os veículos usados pelos sérvios para incendiar casas de albaneses kosovares.
Leag afirmou que a Otan está agora convencida de que os pilotos estavam certos e que os veículos atingidos por duas bombas guiadas a laser eram válidos alvos militares, apesar de ele admitir que é possível que tenha havido vítimas civis no ataque.
Aviões F-16 e Jaguar da Otan se concentraram então em um grande comboio de mais de 100 veículos a sudeste de Djakovica, na estrada para Prizren.
Depois de diversos sobrevôos e consultas com um comando aerotransportado e um avião de controle e comunicação na área, foi dito aos pilotos que o comboio era militar e os aviões atingiram o veículo da frente.
Durante o ataque, baterias antiaéreas sérvias dispararam contra os aviões da Otan, disse Leaf.
O general afirmou que depois que o ataque estava em curso, e depois que sete bombas haviam sido jogadas, o ataque foi suspenso quando novas informações de observadores em aviões mais lentos americanos OA-10 na área indicaram que poderia haver civis junto com os veículos militares no comboio.
Em outros desdobramentos, a Otan anunciou hoje que apesar do mau tempo, seus aviões atingiram depósitos de munição, instalações petrolíferas e o aeroporto na capital kosovar de Pristina, durante a 26ª noite de sua campanha de bombardeios.
O porta-voz da Otan Jamie Shea disse que 40.000 refugiados fugiram de Kosovo nas últimas 24 horas, fazendo com que o número de albaneses étnicos forçados a deixar suas casas subisse para 640.000, enquanto centenas de milhares mais estariam desabrigados vagando pela província.


