Brasília, 16 (AE) - A decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de não usar mais o boeing presidencial desagradou aos militares da Aeronáutica. Embora confirme que a Força Aérea irá atualizar estudos para a substituição dos aviões que servem à Presidência da República, o comandante Walter Werner Br„uer disse que não recebeu qualquer comunicação oficial de que Fernando Henrique não quer voar mais no Sucatão. "Eu fui informado que o vice-presidente Marco Maciel não queria mais voar nos 707", comentou Br„uer. Na última terça-feira o boeing que levava Maciel à Amsterdã (Holanda) teve de fazer um pouso de emergência por problemas em uma das quatro turbinas e no trem de pouso.
Com o susto, Fernando Henrique comunicou ao ministro da Defesa, Élcio álvares, que não usaria mais os sucatões para suas viagens internacionais. "A qualquer instante estou pronto a decolar no Sucatão", disse Br„uer, acrescentando que o avião é seguro e tem mais pelo menos 30 anos de vida útil. O comandante ressaltou que nenhum piloto voa em aviões com risco de cair. "Ninguém é kamikasi, ninguém é suicida", ponderou. "Se me perguntarem, eu diria que o presidente tem toda segurança em voar no Sucatão", completou.
ALUGUEL - Para o comandante da Aeronáutica, a melhor opção para a substituição do Sucatão nos vôos presidenciais de longa distância é o aluguel da aeronave e não o leasing. Ele lembrou que já existem estudos preliminares no Estado Maior da Aeronáutica sobre o assunto, que precisam, apenas, ser atualizados. Como opção de compra ele citou o 767 e o Air Bus mas comentou que cada um custa pelo menos US$ 80 milhões. O leasing representa 1% do valor da aeronave. Ou seja, se o avião custa US$ 100 milhões o governo terá de pagar US$ 1 milhão por mês. Este, por exemplo, é o preço de um boeing 777 e de um Air Bus A 340.
O ministro Élcio Alvares garantiu, no entanto, que a substituição do avião será imediata, embora ainda estejam sendo realizados estudos. A próxima viagem de Fernando Henrique será em março, para Portugal.

mockup