Brasília, 02 (AE) - O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista, reafirmou hoje, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que os representantes da União (dois brigadeiros) no conselho administrativo da Embraer concordam com a decisão de venda de 20% das ações da empresa para um consórcio francês. Para os senadores, Baptista disse que a operação, que gerou críticas na Aeronáutica, é "perfeita".
"Não posso, como militar e comandante, deixar de reconhecer que há um parecer oficial (da Advocacia-Geral da União) que diz que a operação está perfeita", declarou o brigadeiro durante uma audiência pública na CAE.
O presidente da Embraer, Maurício Botelho, disse que a venda de 20% das ações para o grupo francês não interferiu na administração da empresa. "O grupo francês está na condição de acionista minoritário", esclareceu Botelho em resposta a questionamentos feitos pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP). "Não houve transferência do controle acionário; não tenho dúvidas quanto isso, até mesmo por disciplina intelectual", disse o comandante da Aeronáutica.
O presidente da Embraer declarou que 60% das ações da empresa são controladas pela companhia Bozano, Simonsen, e pelos fundos de pensão Sistel (dos funcionários da Telebrás) e Previ (dos funcionários do Banco do Brasil). O grupo francês tem 20% das ações e o restante está pulverizado em negociação pública na Bolsa de Nova York e em poder do governo.
"Não houve qualquer mudança no controle da Embraer ou na condução de seus negócios", disse Botelho. "As alianças com sócios estratégicos franceses e a associação com uma empresa alemã não ferem o limite de 40% de participação estrangeira estabelecido no edital de privatização", completou.

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