Londrina – O advogado e ex-presidente do Partido Verde (PV), Marcos Colli, foi condenado ontem a mais 57 anos, cinco meses e 4 dias de reclusão por estupro de vulnerável e por filmar e fotografar três meninas de 6, 8 e 9 anos em poses sexuais e pornográficas. Esta foi a quarta condenação de Colli, que somada às três anteriores alcança 282 anos e 10 dias de prisão, uma das maiores sentenças do judiciário brasileiro para crimes sexuais.
A condenação, assinada pela juíza da 6ª Vara Criminal de Londrina, Zilda Romero, estipula além do regime fechado o pagamento de 344 dias-multa. O dia-multa corresponde a um trigésimo do salário mínimo atual, que é de R$ 724.
Colli já havia sido condenado no primeiro processo, no dia 18 de junho, a pena de 70 anos de reclusão, seis meses de detenção e 645 dias-multa. Na segunda ação, com sentença de 25 de junho, o ex-assessor da Câmara Municipal de Londrina recebeu pena de 64 anos, um mês e seis dias de reclusão, além de 430 dias-multa. A terceira condenação foi de 90 anos de prisão e 645 dias-multa e divulgada no dia 7 de julho. Os dias-multa de todas as condenações somados alcança 2.064, o equivalente a R$ 49.811,20.
Zilda Romero relatou que os processos contra Marcos Colli foram "trabalhosos em virtude do grande número de vítimas e testemunhas", porém as "provas fartas e contundentes contidas nos autos deram tranquilidade para a aplicação das penas". "As condenações chegaram a esses números em virtude de diversos agravantes cometidos pelo réu, como ter praticado sexo de todas as formas com as vítimas, além de filmar e fotografar as crianças. Foi o caso mais chocante, bárbaro e emblemático nos meus 25 anos como juíza, até por ele ser uma pessoa pública. Que a punição ao réu sirva de exemplo para que casos como esses não se repitam", comentou a magistrada.
Não há casos de registro de penas maiores no Brasil relacionados a crimes sexuais. Em 2010, o médico Roger Abdelmassih foi condenado a 278 anos de prisão por estupro contra 37 pacientes. "Nunca vi nada parecido na minha vida como advogado. Já pesquisei e não encontrei nada semelhante em termos de condenação. Provavelmente é a maior pena para este tipo de crime sentenciada no País", relatou o advogado Walter Bittar, doutor em Ciências Criminais e professor da PUC-PR, em Londrina.
Marcos Colli ainda responde uma quinta ação pelos mesmos crimes. O processo está na fase de citação do réu, por carta precatória, já que Colli está preso na Penitenciária Estadual de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, para onde foi transferido em 10 de julho. A reportagem não conseguiu contato com o advogado de defesa de Colli.

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