Com pressão da Otan para resolução da ONU, China quer emendas
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terça-feira, 08 de junho de 1999
Por Edith M. Lederer 
Nações Unidas, 09 (AE-AP) - Com os Estados Unidos e seus aliados da Otan pressionando pela rápida adoção de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas para encerrar o conflito de Kosovo, a China ainda queria nesta quarta-feira (09) emendas visando uma severa limitação de futuras ações militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
A resolução recebeu sua forma final na tarde de hoje, abrindo caminho para a votação do Conselho de Segurança. No entanto, ela omite a principal exigência da China e era incerto como a China votaria. Diplomatas ocidentais sugeriram que haveria uma abstenção.
"Se eles rejeitarem nossas emendas, acho difícil que aceitemos a resolução", disse o vice-embaixador da China na ONU
Shen Guofang. "Ainda é cedo para dizer se vetaremos."
Esperava-se que a assinatura de um acordo entre chefes militares da Otan e da Iugoslávia minutos antes de uma reunião do Conselho de Segurança desencadeasse uma série de eventos, culminando na adoção de uma resolução autorizando o deslocamento de uma força militar internacional e uma administração civil em Kosovo.
Com o tempo ideal após a assinatura do acordo militar, forças iugoslavas começariam a se retirar imediatamente, a Otan verificaria a retirada e ordenaria o fim dos bombardeios e o Conselho de Segurança aprovaria a resolução - tudo isso em poucas horas.
Diplomatas ocidentais nas Nações Unidas disseram que gostariam que todo esse processo se desenvolvesse na noite desta quarta-feira para que as tropas da Otan pudessem atravessar a fronteira na manhã de quinta-feira, não deixando nenhum vazio de poder que tanto a Otan quanto a Iugoslávia temem que seja preenchido pelo Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
Mas a instalação deste cenário ainda está para ser vista - e a China continua sendo o principal mistério. "Acho que o acordo militar produzirá realmente 14 fortes opiniões a favor da resolução. Então veremos o que a China deseja dizer. Não posso antecipar isto", disse o embaixador britânico Jeremy Greenstock na manhã de hoje. Nenhuma reunião do conselho estava marcada para a votação da resolução.
Enquanto isso, o conselho ouvia um discurso dos dois enviados do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, aos Bálcãs - o ex-primeiro-ministro sueco Carl Bildt e o ministro de Relações Exteriores eslovaco Eduard Kukan.
Shen apresentou as propostas de emenda da China em reunião realizada na manhã de hoje entre embaixadores das sete potências mais industrializadas do mundo, da Rússia e do Grupo de Contato que tentava negociar a paz para a Iugoslávia. Mas com exceção de acrescentar uma referência à Carta da ONU, as emendas foram rejeitadas.
A maior preocupação da China era que a adoção da resolução proposta fosse baseada no Capítulo 7 da Carta da ONU, que torna a resolução militarmente aplicável. Shen disse que Pequim não queria que a resolução desse um "sinal verde para que os membros da Otan bombardeassem ainda mais" a Iugoslávia - e queria uma ação militar com base no Capítulo 7 limitada a proteger o pessoal estrangeiro enviado a Kosovo.
Pequim também não pode aceitar exigências do rascunho para total cooperação com o tribunal de crimes de guerra da ONU para a Iugoslávia devido ao indiciamento do presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, disse. "Nós acreditamos que o indiciamento é politicamente motivado e não podemos aceitá-lo, afirmou. "O mais importante é que possamos demonstrar a autoridade do Conselho de Segurança e das Nações Unidas."
Os ministros de Exterior do Grupo dos Oito concordaram ontem com o esboço do texto da resolução em Colônia, Alemanha, que colocava a Otan no comando de uma força militar internacional que entraria em Kosovo para garantir o retorno seguro de cerca de 850.000 refugiados.
Annan disse no fim da noite de ontem esperar apontar um administrador para supervisionar os aspectos civis do plano de paz nos próximos dias.


