Com a falta de pessoal, os 42 pontos fixos da Guarda Municipal em prédios públicos foram reduzidos a cinco. "O guarda é muito caro. Não dá para deixar um só em um ponto fixo. Ele tem equipamentos caros e tem uma arma. Às vezes ele vai cuidar de um local em que a arma dele é a coisa mais valiosa que tem no local. Uma arma dessa para o crime organizado vale R$ 10 mil", justifica Evaristo Kuceki, secretário de Defesa Social.

Kuceki argumenta que é preciso sempre deixar dois guardas para um ponto fixo. "Dois guardas 24 horas por dia significam oito guardas. Então é melhor que esses oito fiquem vigiando 24 horas por dia a cidade do que fiquem parados em um ponto só. Uma viatura da guarda hoje visita no mínimo 72 prédios públicos por dia de trabalho. Então é muito desperdício de dinheiro público colocar um guarda treinado para trabalhar como vigilante", argumenta.

Mas é por conta dessa falta de vigilância que os furtos em escolas e unidades básicas de saúde acontecem. Só a Escola Estadual do Jardim Eldorado, na zona leste, foi arrombada cinco vezes em 2018. Entre abril e maio do ano passado, a Escola Municipal Eugênio Brugin, na zona sul, sofreu três furtos. A UBS Central, na rua Souza Naves, teve a fiação elétrica furtada quatro vezes no ano passado. A Sercomtel teve 437 ocorrências devido a furtos de cabos na cidade no mesmo período.

Para suprir a falta de agentes, câmeras de videomonitoramento foram instaladas em pontos críticos da cidade. "Antes das câmeras tínhamos três invasões por mês na Escola Water Okano (centro). Tivemos uma esses dias, mas acontece, não conseguimos combater o crime 100%. Nós estamos com um problema na Escola Municipal Eugênio Brugin. Nos instalamos lá, estamos melhorando a segurança, então estamos trabalhando, como a gente não tem condições de trabalhar como vigilante, estamos como guardas. Na falta de vigilante, colocamos câmeras", pontua o secretário.

Kuceki cita uma escola municipal em que levaram televisão e vários bens em um furto. "Imagina se eu deixo um vigilante lá só por conta de um furto. O patrulhamento é a melhor solução, vamos no Calçadão. Cada escola que o guarda para e reporta, é muito prédio público que a gente visita. Essa presença via patrulhamento é melhor do que deixar o vigilante lá."

O prefeito Marcelo Belinati acrescenta que "há um entendimento da procuradoria que como há a guarda não pode se ter um serviço terceirizado de vigilantes como existia antes". "A questão é construir um modelo, e a gente tem a convicção que esse é o modelo para proteger os próprios públicos", garante. A corporação conta atualmente com 340 guardas, que recebem cerca de R$ 2.000 por mês. "O salário não está muito atrativo, mas é uma questão de vocação. Os guardas que tenho são bons, 90% têm nível superior. Mas realmente acabamos treinando guardas e eles acham outros concursos mais atrativos e a gente vai perdendo", concorda Kuceki.

INVESTIMENTOS

Questionado sobre o treinamento dos guardas, o secretário explica que a corporação está "trabalhando para isso". "Cada guarda nosso volta para a academia. Por lei federal ele tem que ter no mínimo cem horas de instrução. Ele volta, é treinado, estamos colocando disciplinas novas. Temos incentivado bastante, conseguindo viaturas novas, tentando adquirir um modelo novo de uniforme, mais confortável, que seja EPI (Equipamento de Proteção Individual) e não apenas um uniforme".

Viaturas quebradas e antigas aumentam o custo público para a guarda. Com recursos estaduais, a Guarda Municipal vai adquirir 12 veículos. Atualmente, a corporação tem 25 viaturas. "Elas estão com muito tempo de uso, agora vai renovar a frota", promete Belinati.

Em outubro do ano passado, um convênio entre o município e o governo do Estado foi firmado para a implantação do botão do pânico, que deve funcionar a partir deste ano. O dispositivo é uma forma de ligação direta entre mulheres que têm medidas protetivas e a Patrulha Maria da Penha, da Guarda Municipal. "Eu acredito que até o início de fevereiro já estará funcionando", diz Kuceki.

De acordo com Kuceki, um setor da corporação que "deu certo" foi o canil. O treinamento dos cães possibilita a apreensão de drogas. "O cachorro fareja droga. Temos comprovado isso pela ocorrência. O tráfico de drogas em escolas diminuiu bastante".

Outro investimento é na comunicação da corporação. Uma parceria da Secretaria de Defesa Social com o Cismel (Consórcio Intermunicipal de Segurança Pública e Cidadania de Londrina e Região), vai fornecer um rádio comunicador digital para a GM. O próximo passo, segundo Kuceki, é conseguir que o rádio tenha a mesma criptografia das polícias. Segundo o capitão Ricardo Eguedis, da PM, "são sistemas de segurança que precisam ser resolvidos". "É um investimento da guarda e nosso. Até dois anos atrás qualquer pessoa que comprasse um rádio tinha acesso a tudo que acontecia conosco e com a guarda. Houve investimento do governo do Estado para um sistema de segurança, nossa criptografia não é a mesma da Guarda e estamos resolvendo isso", diz.

O capitão Marcos Tordoro, do 5º Batalhão, lembra que a integração entre as forças de segurança começou na atual gestão. "Em Londrina, de modo especial, a integração é bastante intensa. Ações integradas melhoram a fiscalização urbana. Em algumas situações, a competência para autuar está com a GM".

Uma dessas situações é a aplicação de multa para quem beber das 22h às 8h nas vias públicas da cidade. "Para quem mora na avenida Higienópolis era uma tragédia: sexo, urina, drogas. Com a edição da lei e com ação conjunta isso já melhorou muito. É um trabalho permanente que vai fazer com que as pessoas tenham consciência que o direito delas vai até onde começa o direito do outro e que haja respeito. Mesmo objetivo dos fogos. É um conjunto de ações que quem acaba realizando é a guarda", disse o prefeito.

Pela "Lei Seca", a GM aplicou 302 multas em novembro e dezembro de 2018. Até o quarto dia de 2019, duas multas tinham sido aplicadas. Cada autuação é R$ 500. Questionado se o recurso das multas volta para a GM, Kuceki foi sucinto: "Nós estamos modificando a lei das multas. Atualmente vai para a secretaria de Educação".

Belinati disse que uma solução está sendo construída. "É claro que todo processo interno dentro da prefeitura tem um trâmite burocrático. A ideia é criar um fundo com essas diversas atribuições que a guarda está tendo, a questão das bebidas, a questão dos fogos de artifício. Trabalhar na fiscalização ambiental e do trânsito. A ideia é que as multas voltem para a guarda por meio de câmeras, uniformes, veículos. Mas isso está sendo construído".

CORRUPÇÃO

Em dezembro de 2018, quinze guardas foram afastados da corporação por suspeita de desvio de dinheiro depois de uma apreensão de mais de R$ 850 mil. A investigação da Polícia Civil acredita que os guardas teriam apreendido mais do que foi relatado e dividido o dinheiro entre os agentes. Segundo Kuceki, embora 15 guardas estivessem envolvidos, dois não aceitaram dividir o dinheiro. Treze teriam participado efetivamente.

"Cabe a quem cometeu ato errado ser rigorosamente responsabilizado", lembra Belinati. Segundo Kuceki, pela lei federal é necessário que a guarda tenha uma corregedoria e, a de Londrina, é atuante. "A forma que estamos trabalhando em Londrina junto das forças de segurança, mesmo com os problemas que nós tivemos, sempre tivemos uma resposta rápida tanto da PM quanto da Polícia Civil. Então isso demonstrou que nós estamos preparados para qualquer problema que tenha, mesmo os internos. Nossa corregedoria é forte, os índices de criminalidade desde que assumimos diminuíram bastante".

Já o prefeito destaca que os bons não podem pagar por aqueles que cometeram algum ato errado. "Em sua grande maioria, os guardas são pessoas honradas e corretas que colocam até a vida em risco para exercer a função. Em todas as áreas você tem o bom e o mau profissional. Os maus profissionais na guarda estão tendo o tratamento que deveriam ter". (I.F)


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