Com o imposto, PFL quer se distanciar do governo
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terça-feira, 27 de julho de 1999
Por César Felício 
Brasília, 28 (AE) - A proposta do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), de criar um fundo para o combate à pobreza por meio da criação de novos impostos, aumento de tributos já existentes e remanejamento de recursos poderá ser um marco político de gradual independência do partido em relação ao governo. Para o deputado Roberto Brant (PFL-MG), parlamentar próximo a ACM, "o senador sinalizou com a proposta que vai usar a sua liderança pessoal em uma direção que não é a do governo".
Segundo o deputado, "ao entregar a coordenação política do governo ao PSDB na última reforma ministerial, o presidente Fernando Henrique Cardoso convidou o PFL a adotar uma posição de considerável independência". Atualmente, Fernando Henrique conta com dois tucanos como coordenadores políticos do governo ( o secretário-geral da presidência Aloysio Nunes Ferreira Filho e o ministro das Comunicações Pimenta da Veiga), além de serem do PSDB os líderes do governo na Câmara, no Senado e no Congresso.
Segundo Brant, que era do PSDB até o início deste ano e chegou a ser cotado como ministeriável, "ACM sabe que o governo deverá trabalhar contra a proposta, porque assumir a sua defesa seria admitir que se apostou todas as fichas no equilíbrio fiscal e se esqueceu o investimento na área social". Para o parlamentar, o PFL poderá trabalhar pela aprovação do projeto fazendo uma aliança até agora inédita com a oposição. "Vamos trabalhar no Congresso em relação a este tema de maneira inteiramente diferente do que temos feito, buscando convergências sobre o assunto com o PMDB e com os partidos de esquerda. O PSDB que faça oposição, se quiser", disse.
Ressalvando que ainda não conversou com ACM sobre a proposta
o deputado disse que tanto a emenda constitucional quanto o projeto de lei complementar apresentados pelo senador poderão ser profundamente modificados. "O importante é definir como gastar estes recursos e como adquirir o montante ideal de R$ 8 bilhões. As formas de captar estes recursos podem ser alteradas", afirmou, relembrando a sua atuação como relator do pacote de ajuste fiscal que o governo enviou ao Congresso no final de 1997, que acabou conhecido como pacote "51". "Naquela ocasião, houve uma intensa negociação para conseguirmos fechar uma conta de ajuste fiscal de dezenas de bilhões de dólares. Desta vez, trata-se de R$ 8 bilhões. Não será tão difícil assim", afirmou.


