Com novos protocolos, clubes sociais de São Paulo reabrem aos poucos para sócios


CAROLINA MORAES
CAROLINA MORAES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Autorizados a reabrir desde segunda-feira (29), os principais clubes sociais de São Paulo se preparam nesta semana para receber os sócios nos próximos dias.

Os clubes Pinheiros e Hebraica, por exemplo, decidiram retornar na próxima terça (7), enquanto o Paulistano ainda não definiu uma data.



"Vamos tomar muito cuidado com a reabertura", diz Paulo Movizzo, presidente do Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo, o Sindi Clube. Ele afirma que os clubes do estado se pulverizaram entre os que já abriram, os que abrem na próxima semana e os que ainda estão estudando a data de reabertura.

Para voltar a receber os sócios, serão obrigatórios o distanciamento social de pelo menos 1,5 metro, o uso de máscaras e o reforço das medidas de segurança.

As áreas externas são os únicos espaços que retomam as atividades em um primeiro momento. Parquinhos, atividades coletivas (orientadas por instrutores, técnicos e preparadores físicos), espaços fechados, bares, restaurantes e piscinas permanecem fechados.

Os endereços não têm um horário limitado para permanecerem abertos, mas devem limitar o público para que não haja aglomeração.

O Pinheiros prevê que o espaço volte a operar com entre 2 mil e 3 mil sócios por dia, menos da metade da média de 8 mil de antes da pandemia.

Além da disponibilização de álcool em gel e de sinalizações das recomendações de distanciamento e de higiene, o clube elaborou uma cartilha detalhando as medidas adotadas e o que estará aberto ao público.

Inicialmente, as atividades sociais, os espaços infantis e o cinema permanecem fechados, e os serviços médicos serão oferecidos mediante agendamento. O uso de elevadores será individual ou restrito a membros da mesma família, e todos os sócios terão sua temperatura aferida.

A Hebraica, clube que também fica na zona oeste da capital paulista, criou um espaço de higienização logo na entrada do clube.

Segundo o presidente, Daniel Bialski, há uma câmara de desinfecção, termômetros para aferir a temperatura, totens de álcool em gel e tapete para desinfectar os calçados. Máscaras serão fornecidas para os sócios que não estiverem com a peça na entrada.

Já os funcionários foram divididos em grupos que terão turnos rotativos de trabalho. Os que já voltarão para as atividades presenciais foram testados para Covid-19. Os de grupos de risco ainda não retornarão.

Por enquanto, a entrada de visitantes e convidados também está proibida.

"Sou um felizardo pelos sócios que eu tenho porque eles entenderam o momento que estamos passando. Eles continuaram contribuindo mesmo não frequentando, sabendo da importância do clube não só para eles, mas para toda a comunidade", diz o presidente.

Mas, assim como no Pinheiros, a falta de eventos, que não devem ser retomados por enquanto, ainda representa uma grande perda financeira para o espaço. A Hebraica teve mais de 5.700 eventos em 2019, englobando atividades como campeonatos esportivos, teatro, shows e festas.

O Pinheiros também afirma que não houve uma saída significativa de sócios e que a mensalidade foi reduzida em 16% nos meses de maio e junho. O clube aponta uma redução de 53% da receita deste mês em comparação ao originalmente previsto.

"Os clubes não precisam, em um primeiro momento, incentivar o retorno. É uma coisa que precisamos trabalhar com muito critério, têm as pessoas do grupo de risco e isso preocupa demais a todos nós. A grande preocupação é você ter casos nos próximos 15, 20 dias, e tenha que voltar a fechar", diz Movizzo, que também é presidente do Athletico Paulistano.

O clube, que não tem uma data para reabertura, já definiu que funcionará 14 horas por dia e só com as atividades ao ar livre.

O Paulistano aponta uma inadimplência de 6%, e atribui a porcentagem baixa a medidas de apoio para o pagamento, como parcelamento das mensalidades.

De acordo com o presidente do sindicato, isso seria mais um impacto financeiro negativo em um cenário em que os clubes já tiveram grandes perdas em suas receitas.

Segundo levantamento do Sindi Clube feito entre 25 e 26 de maio, 98% dos clubes do estado mantiveram a cobrança de mensalidade, mas 94% apontam inadimplência.

A pesquisa ouviu 83 clubes de 45 cidades de São Paulo, e 70% deles também apontaram ter oferecido algum tipo de desconto nas mensalidades.

"Com certeza a contribuição social é a maior arrecadação dos clubes. Ela representa hoje, em alguns deles, entre 80% e 90% da folha de pagamento", conta o presidente do sindicato.

Em relação ao grupo de funcionários, 72% dizem ter reduzido jornada e salário. Na capital, o número sobe para 82%. Já demissões foram apontadas em 28% deles no estado.



"Acho que a retomada é gradual, lenta, os orçamentos deverão ser refeitos e isso poderá gerar uma série de corte de eventos sociais, culturais. Para este ano, acredito que, se tiver alguma coisa [relacionada a evento] será numa proporção muito pequena. Então acredito mais em outra conquista: a de reconquistar o sócio que saiu. É uma busca que todos os clubes terão que fazer", afirma.

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