Com novos ataques, RN terá reforço militar
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segunda-feira, 01 de agosto de 2016
Monica Bernardes<br>Agência Estado 

Recife - O Rio Grande do Norte começa a receber nesta terça ( 2) o efetivo de 1,2 mil militares das Forças Armadas, convocado após a sequência de atos violentos na capital e em cidades do interior desde o fim de semana. Na madrugada desta segunda, marcada pelo incêndio de veículos e novos ataques a prédios públicos, 17 presidiários fugiram do Centro de Detenção Provisória (CDP) da Ribeira, na zona leste de Natal.
Na tentativa de desmobilizar as facções criminosas que lideram os ataques, o governo do Estado conseguiu autorização para a transferência de cinco detentos que estavam no Presídio Estadual de Parnamirim - unidade na Grande Natal que reagiu à instalação de bloqueadores de sinal de celular. Os detentos foram levados para o Presídio Federal de Mossoró. Nos próximos meses, os bloqueadores devem ser instalados em todas as unidades prisionais potiguares. Novas transferências já foram autorizadas.
O cenário de insegurança fez com que escolas suspendessem aulas e o comércio funcionasse parcialmente. O sistema de transporte público também foi afetado, operando com menos de 50% da frota. No fim de semana, parte da mata no Morro do Careca chegou a ser incendiada.
TRANCADAS EM CASA
Entre a população, o clima é de apreensão. A comerciante Ana Dias, de 45 anos, proprietária de uma farmácia no bairro de Capim Macio, na zona sul de Natal, manteve o negócio fechado e optou por deixar as duas filhas, de 9 e 13 anos, em casa. "Elas estavam animadas para o retorno às aulas, mas não me senti segura em deixar que fossem à escola. Ficamos trancadas em casa o dia todo. Meu marido foi trabalhar, mas só fiquei tranquila quando ele chegou."
O diretor do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos do Rio Grande do Norte (Seturn), Nilson Queiroga, disse que o cuidado é constante. "Vamos avaliar a situação a cada hora, hoje, amanhã e depois, para podermos garantir não só a circulação das pessoas, mas acima de tudo preservar a vida dos trabalhadores, dos passageiros e também o nosso patrimônio."
OPERAÇÃO
Até a noite de segunda, 68 pessoas estavam presas por suspeita de envolvimento com os casos de violência. Desde a sexta-feira passada, 65 ataques foram registrados no Rio Grande do Norte.
O governador Robinson Farias afirmou estar "confiante". Durante todo o dia, a cúpula do governo esteve reunida com representantes do Exército. As tropas serão deslocadas de Pernambuco e Alagoas e atuarão principalmente no patrulhamento ostensivo nas ruas, em parceria com a polícia.
"Ficou definido que o papel principal das Forças Armadas será a ronda ostensiva, para evitar os ataques, e não o enfrentamento", destacou o secretário estadual de Segurança, Ronaldo Lundgren. Do efetivo, mil homens são do Exército e 200 integram o corpo de fuzileiros da Marinha. A previsão inicial é de que o reforço seja mantido até o próximo dia 16.
Lundgren classificou os ataques como "atos de terrorismo". "O que estamos vivendo são atos de terrorismo. Esses atos visam a aterrorizar toda a população e a acuar as autoridades", afirmou.


