Com movimentos antagonistas, londrinenses defendem a Amazônia
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sábado, 24 de agosto de 2019
Isabela Fleischmann - Reportagem Local 
Ecoando a mobilização global em defesa da Floresta Amazônica, Londrina teve uma tímida reunião no Calçadão na tarde deste sábado (24). Com cartazes de “Fora Salles” e “o agro é tóxico”, a pauta do protesto era a defesa da Amazônia, mas o movimento enfraqueceu com a presença de movimentos antagonistas.


“Viemos em defesa da Amazônia, mas chegamos aqui e cada um quer que seja da sua maneira”, conta o estudante Otávio Barbosa, 18. O embate entre os grupos fez com que os manifestantes ficassem concentrados em frente à Praça Marechal Floriano Peixoto, sem fazer uma passeata. De acordo com o estudante, o movimento anarquista rechaçava a presença de bandeiras do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). A falta de organização provocou a confusão dos ativistas, já que a mobilização estava agendada para horários distintos mas em mesmo lugar.
Nathalia Sena Teófilo, 20, faz parte do Movimento Passe Livre. A estudante de ciências sociais conta que a comoção de várias cidades do Brasil que se organizaram desde sexta-feira (23) para denunciar as queimadas na Amazônia fez com que movimentos sociais autônomos de Londrina chamassem o ato, mas sem um coletivo por trás. “A gente tinha marcado concentração às 13h, mas flyers tinham horários errados e já estava viralizado, ficou confuso. Como já houve conflito [com os anarquistas] nosso propósito foi permanecer no Calçadão para dialogar com as pessoas e denunciar o que está acontecendo.”
Cobrindo o rosto com uma espécie de balaclava, Eslei Bandeira, 25, que faz parte do movimento anarquista, afirma que os partidos se apropriam das lutas do povo. Segurando uma faixa com os dizeres “a causa é pela Amazônia, não por partido político”, ele explica que a pauta dos outros movimentos era “defender o corporativismo institucional do parlamento” e que os anarquistas eram excluídos das mobilizações. “Nossa luta é autônoma, nós que pagamos as faixas, sem auxílio nenhum. Incentivamos a auto gestão”.
A estudante Pietra Melo, 16, disse que os manifestantes deveriam focar que “o inimigo não está aqui no meio da mobilização”. Vendo a discordância dos manifestantes, o coordenador do CDH (Centro de Direitos Humanos) de Londrina, Carlos Henrique Santana, explicou que o movimento deveria agregar e não separar. “Os movimentos que são da periferia são melhores organizados”, disse.
DEVASTAÇÃO DO TAMANHO DE LONDRINA
As queimadas na Amazônia já destruíram cerca de 20 mil hectares. Sobrepondo essa área pelo espaço da cidade de Londrina, é possível visualizar que a devastação cobre uma área de praticamente toda a cidade.

Pelo mundo, ambientalistas e ativistas se concentraram na frente das embaixadas brasileiras cobrando soluções para a queimada. Em Barcelona, por exemplo, manifestantes se pintaram e erguiam grandes folhas em protesto. “Não é o fogo, é o capitalismo e o extrativismo”, dizia um cartaz em espanhol. Faixares e cartazes também atribuíram a destruição à política do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Em pronunciamento em rede nacional na noite de sexta-feira, o presidente autorizou o uso da Força Nacional em combate aos incêndios.




