Com manobra, pepebistas conseguem adiar votação da CPI das ARs
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 10 (AE) - A bancada governista da Câmara Municipal de São Paulo conseguiu adiar por mais um dia a votação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a participação de parlamentares na máfia das administrações regionais. Os situacionistas obstruíram a sessão com três artifícios: colocaram na votação da preferência da ordem do dia 17 requerimentos de assuntos diversos, ultrapassaram o tempo regulamentar e esvaziaram o plenário, impedindo os trabalhos por falta de quórum. Amanhã haverá nova tentativa de votação,
Hoje foi feita a leitura do novo pedido de CPI, de autoria de Brasil Vita (PPB). Com isso, ficam dois pedidos prontos para a votação - um da oposição e outro da situação. Segundo a oposição, a bancada deve continuar a fazer manobras para evitar a votação até depois do carnaval, quando retorna a São Paulo o líder do PPB, Paulo Maluf. A chegada de Maluf poderia amenizar a crise que está esvaziando o partido e impedir um eventual recuo dos pepebistas. Salim Curiati e Paulo Frange, por exemplo, surpreenderam dando preferência à CPI da oposição hoje.
Para José Eduardo Cardozo (PT), a intenção dos governistas é evitar qualquer CPI. "A que eles propõem é virtual, já nasceu com o intuito de não ser aprovada." A afirmação diz respeito ao prazo para a instalação (15 dias após o pedido) ser incompatível com o texto, que pede a abertura só depois dos trabalhos do Ministério Público.
Tanto receio tem uma explicação. Diferentemente dos trabalhos do Ministério Público, que apura responsabilidades criminais, as CPIs tratam de irregularidades político-administrativas e podem desencadear a cassação de forma mais rápida. Têm prazo máximo de 90 dias para apontar resultados. Logo depois, o pedido de cassação de um vereador vai a plenário. No caso da Justiça, o parlamentar tem de ser considerado culpado em várias instâncias e pode entrar com recurso, prolongando a discussão por anos. Uma cassação de mandato a cerca de um ano e meio das próximas eleições municipais assusta os vereadores.
Òxodo - A debandada do PPB continua. Além de Bruno Féder
que já se desligou, há agora mais seis vereadores descontentes que falam em mudar de legenda. Isso representa um terço da bancada de 21 pepebistas. Além de Alan Lopes, Edivaldo Estima, Maeli Vergniano, Paulo Frange e Miguel Colassuono, Myriam Athie mostrou estar incomodada. "Aqui na Câmara a debandada é geral; estamos abandonados pelo presidente nacional e sem rumo." Frange confirmou sua decisão. "Falta organização e norte para o partido; não dá mais para ficar."
Féder mostrava-se claramente contra o PPB e o prefeito Celso Pitta. "Tudo o que ele anunciou eu já fiz." Ele mostrou dois projetos de lei de sua autoria sobre a readequação da carreira dos fiscais e reavaliação da Lei de Zoneamento, que tramitam na Câmara. Também criticou duas medidas de Pitta: a que trata da distribuição dos ambulantes e outra, sobre a criação de uma cartilha. "Essas leis já existem."
"Não posso ficar em um partido que tem a marca da corrupção latente", diz Miguel Colasuonno, que chegou a pleitear uma administração regional, mas desistiu. Segundo ele, que cogita mudar de legenda, os últimos acontecimentos estão-se refletindo na opinião pública, cujo resultado deve ser conferido nas próximas eleições.


