Com lonas, ambulantes voltam às ruas do centro
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 14 (AE-AP) - Meias a R$ 1, cintos, aparelhos de barbear, remédios milagrosos e artigos importados de procedência duvidosa. Após quatro meses de intensa fiscalização, esses e outros produtos voltaram a ser vendidos nas ruas da região central da cidade.
Em locais como as Ruas 15 de Novembro e Direita e a Ladeira General Carneiro - palco de confronto entre a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e os camelôs -, os pedestres são obrigados a desviar de barracas e mercadorias expostas no chão.
A maioria dos ambulantes adotou como tática apresentar os produtos em lonas no chão, o que facilita a fuga quando a fiscalização se aproxima. Conhecidos como "siris", eles concentram-se principalmente na 15 de Novembro e na General Carneiro.
Os ambulantes dizem que, nas últimas semanas, a fiscalização tem sido menos rigorosa. "Eles estão mais preocupados com os perueiros", afirma Raimundo Pereira da Silva, que há três anos vende meias na 15 de Novembro.
A opinião é compartilhada pelo pernambucano Carlos Antonio. Ambulante na cidade há 35 anos, ele atualmente vende guarda-chuvas na 15 de Novembro. "Quando eles (guardas-civis) estão em cima, não trabalhamos", diz Antonio.
"Eles perseguem mais em dias de pagamento e épocas de movimento bom, como o carnaval", diz o goiano Leonilson Pereira
que vende capas para celulares e bolsas como "siri" na 15 de Novembro. Ele chegou esta semana de Palmas (TO) e achou a rua mais cheia de camelôs. "Devem estar dando um boi (moleza) para a gente."
O discurso dos camelôs não mudou. Eles defendem a atividade citando o desemprego e dizem querer organizar-se como comércio formal, pagando impostos para a Prefeitura. "Imagina o dinheiro que a Prefeitura poderia arrecadar", diz Raimundo Norberto, dono de uma banca na Avenida Brigadeiro Luís Antônio.
Paulista - Na região da Avenida Paulista, o comércio informal também se expande, mas de forma mais tímida do que no centro. A maioria prefere armar suas bancas nas ruas transversais, onde a fiscalização é mais tolerante. Os que se aventuram na Paulista montam pequenas bancas móveis ou carregam produtos na mão, para ter tempo de fugir caso os funcionários municipais apareçam.
"Vou roubar, pedir esmolas?", indaga Carlos Silva, que vende mapas na esquina da Paulista e Alameda Joaquim Eugênio de Lima. "O prefeito não pensa na gente."
Nos bolsões construídos pela Prefeitura, as opiniões estão divididas. Alguns dizem preferir o novo espaço. "Aqui é mais sossegado e o movimento é bom", diz o vendedor de fitas cassete Clayton Batista.
Ele tinha uma banca na General Carneiro e atualmente está no bolsão da Praça Fernando Costa. Seu colega José Dias discorda. "Olha aí o movimento", diz, apontando para o reduzido número de pessoas que caminha pelo bolsão.
A Assessoria de Imprensa da Secretaria das Administrações Regionais (SAR) informou que a questão do comércio ambulante deve ser tratada pela GCM e a pasta apenas presta apoio técnico nas operações de apreensão. O comandante-geral da GCM, Wagner Kourrouski, não respondeu às perguntas enviadas via fax pela Agência Estado.


