Com hora marcada para ficar bem
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de abril de 2008
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Que tal estabelecer um prazo para o próprio tratamento e para ficar 'curado'? Na psicologia isso é possível com a chamada terapia breve, em que paciente e terapeuta estabelecem um número 'X' de sessões para atingir determinada meta.
A psicóloga clínica Ana Lúcia Sanches, de Londrina, especializada em psicologia breve, explica que o método não é algo novo, mas usado desde a década de 50, na Inglaterra, Estados Unidos e Argentina. O que acontece é que a técnica vem se popularizando à medida que as pessoas têm cada vez mais pressa e menos tempo.
Segundo ela, o tratamento é o mesmo que de qualquer outra psicoterapia, podendo seguir as diferentes linhas da psicologia, como, por exemplo, a psicanálise, com que ela trabalha, ou a comportamental. ''O que difere é a postura ativa do terapeuta e o trabalho feito com um número de sessões estabelecidas'', explica.
O objetivo, aponta a psicóloga, é a recuperação clínica do paciente, ''sem que isso signifique a recuperação completa dos sintomas''. Funciona assim: o paciente chega com uma queixa específica e o objetivo é tirá-lo daquela crise, além de capacitá-lo para enfrentar o problema. Tudo isso dentro de um prazo determinado em consenso entre paciente e terapeuta.
''Muitas vezes, a pessoa não quer passar por um processo de autoconhecimento mais profundo, mas quer resolver uma situação. Mas, mesmo se você trabalha apenas um 'pedaço' vai desencadear outras áreas'', avalia. Por isso ela ressalta que o que acaba são os encontros com o terapeuta, não o processo, para o qual o paciente ficou com maior capacidade de resolução.
Uma das vantagens desse método, segundo ela, é vencer o preconceito de que a psicoterapia é algo ''sem fim''. ''Não fica a sensação de que o paciente entrou em um processo do qual não vai sair mais'', ressalta. E, como sempre é possível rever posições, na psicoterapia breve é interessante na metade ''do caminho'' rever o foco, e ao final, fazer um balanço de tudo que aconteceu e mudou, para até, quem sabe, o paciente se decidir por uma terapia mais longa. ''O final também é uma oportunidade de trabalhar sentimentos de perda e luto, comuns ao término das sessões com o terapeuta'', informa.
É comum acontecer, por exemplo, do paciente passar por uma terapia breve, e, depois de um tempo, voltar para outra, até por conta de outra queixa. ''É interessante porque normalmente ele volta muito melhor, pois conseguiu refletir e colocar isso em prática. E também fica mais seguro, porque viu que consegue andar com as próprias pernas. Já ouvi de uma paciente: 'eu aprendi que eu posso, com a ajuda de alguém, mas não sou dependente de ninguém'. Isso é ótimo'', afirma.
Outra vantagem é poder programar o tempo e o valor que se vai gastar. Na terapia breve são, em média, 25 a 30 sessões, ou cerca de cinco a seis meses de tratamento, enquanto na tradicional não há prazo. Indicada para todas as idades, o método é especialmente interessante com adolescentes, que ''também não querem algo demorado'', em questões como a escolha da carreira e o vestibular. A única condição que a terapia breve pede é um paciente motivado e colaborativo, ''com condições de elaborar, refletir e participar''.
Serviço: Mais informações sobre a terapia breve com orientação psicanalítica pelo telefone (43) 9151-9151, Londrina.


