São Paulo, 05 (AE) - O diretor-presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Juarez Rizzieri, reviu seus números e agora prevê uma inflação máxima de 12% no acumulado de 1999, a partir de uma desvalorização do real de 35% (cotação de R$ 1,65).
Segundo ele, a inflação de 99 aparecerá como uma bolha. Terá seu pico logo no início, em março e abril, e depois mostrará uma trajetória declinante. Rizzieri alertou que será preciso explicar a trajetória declinante, para evitar anualizações a partir dos dados elevados de março e abril.
Rizzieri fez também uma projeção do efeito na balança comercial de uma desvalorização cambial de 35%. Segundo ele, o resultado final da balança seria um superávit de US$ 15,5 bilhões em 99. E o déficit da balança de serviços seria reduzido dos US$ 34 bilhões registrados em 98 para US$ 20 bilhões este ano.
De acordo com Rizzieri, essas projeções indicam que a necessidade de recursos externos em 99 seria de US$ 25 bilhões. Em função desse quadro, afirmou, a taxa de juros razoável para o País seria de 22% ao ano, mesmo levando-se em conta o déficit da dívida pública.
Rizzieri fez também um exercício para a dívida pública, levando-se em consideração a mesma desvalorização cambial de 35%. Nesse caso, a parte da dívida pública que está dolarizada (R$ 70 bilhões) seria acrescida de mais R$ 30 bilhões. A parte da dívida pública em reais, que é de R$ 300 bilhões, seria aumentada em mais R$ 25 bilhões.
Além disso, haveria também um acréscimo de mais R$ 15 bilhões relativos aos juros do serviço da dívida. Nesse raciocínio, estão embutidos os juros de 22% ao ano.Por Rita Tavares ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca acrescenta informações, a partir do terceiro parágrafo.

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