Preso de bom comportamento, com uma extensa lista de assaltos no ''currículo'' e que cumpre condenações que somam 97 anos de detenção, Wagner Ferreira de Araújo, o Testa, de 29 anos, conseguiu driblar o sistema de segurança da Penitenciária Estadual de Londrina 2 (PEL 2) com muita audácia na manhã de ontem. Possivelmente utilizando calças destinadas às aulas de capoeira amarradas, ele improvisou uma corda com cerca de quatro metros de comprimento para fugir, por volta das 11 horas, durante o banho de sol dos presos.
Após ganhar a área externa do presídio e correr em direção ao vale que fica próximo ao Jardim Franciscato (zona sul), Testa foi perseguido por policiais militares de diferentes divisões, entre elas a Rotam, a Rone e o Pelotão de Choque.
Na operação para a recaptura, um policial quebrou o pé e teve que ser atendido pelo Siate. A mobilização, sem sucesso, terminou no final da tarde. As buscas continuaram com policiais à paisana e com viaturas descaracterizadas em uma região da zona sul da cidade. Um denunciante anônimo informou que Testa estaria escondido em uma casa. Até às 19 horas, a polícia ainda não havia encontrado o fugitivo.
Uma falha no sistema de comunicação entre o agente que trabalha na sala de monitoramento por câmeras e os policiais que fazem a guarda nas guaritas teria contribuído para a fuga, segundo versão dos agentes penitenciários que conversaram com a reportagem da FOLHA.
Os agentes afirmaram que os radiocomunicadores falharam e que o responsável por monitorar as imagens teve que sair do seu posto e avisar a ocorrência aos gritos. Segundo eles, a deficiência na comunicação já teria sido informada ao Departamento Penitenciário.
Outra falha estrutural que teria ajudado Testa, conforme os agentes, é a visão limitada que as guaritas (supostamente mais baixas que o recomendado) proporcionam aos policiais responsáveis pela vigilância.
O tenente Glauco Andrade de Oliveira, que chefiou a operação de recaptura, negou a versão e disse que os policiais chegaram alguns minutos depois da ligação de um agente. ''Chegamos a visualizar o fugitivo, mas as características do local impediram a captura'', afirmou, referindo-se ao terreno acidentado e ao matagal denso que cerca a unidade.
Até mesmo os policiais ficaram impressionados com a determinação de Testa em fugir. Para chegar ao lado externo, ele provavelmente contou com a ajuda de outros detentos, que teriam formado uma pirâmide humana. A tradicional teresa (corda improvisada) desta vez teria sido usada como uma tirolesa entre o alambrado e o muro, separados por cerca de quatro metros. Por fim, Testa teve que saltar cerca de cinco metros.
Próximo ao muro do presídio, a polícia encontrou um pacote com celulares, carregadores, cola para solda e serras. Na madrugada, dois adolescentes foram presos em flagrante nas imediações da unidade arremessando três celulares envoltos em pacotes de fumo. Há duas semanas, um pente-fino resultou na apreensão de 20 celulares dentro das celas. Ontem, os 42 presos da galeria onde Testa vivia foram revistados. Nada foi encontrado.
O helicóptero do Grupamento Aéreo da PM, que estava prestando socorro a uma vítima de acidente de carro em Centenário do Sul que foi encaminhada ao Hospital Universitário de Londrina, custou a chegar mas deu suporte à fase final da operação de recaptura, que envolveu 40 homens e 10 viaturas. Eles vasculharam os bairros mais próximos em busca de pistas, depois que fracassaram as tentativas de cerco no fundo de vale do Jardim Franciscato.
A PEL 2 é a maior unidade prisional da região metropolitana de Londrina. Tem capacidade para 960 detentos, mas abrigava ontem 1.009.

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