Com as mãos no bilhete premiado
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terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina - A próxima quarta-feira será a data de realização do sorteio da Mega-Sena da Virada, que possui um prêmio estimado em R$ 240 milhões, valor que tem feito muita gente sonhar com a soma em suas contas bancárias. Para as operadoras de caixas das lotéricas, que recebem as apostas cotidianamente, é uma alegria saber quando um de seus clientes é contemplado por algum prêmio, mas ao mesmo tempo elas sentem uma frustração ao saber que não recebem nenhum quinhão dessa aposta. Elas colocam as mãos nos bilhetes premiados, mas não levam nada.
A operadora de terminal Adriana Vieira se considera uma pessoa que dá sorte aos apostadores. Ela trabalha há 20 anos em uma lotérica e o prêmio mais recente que passou pela sua mão foi pago na semana passada. "Eu recebi uma aposta que pagou R$ 14 mil. Pelo meu caixa já foram pagos outros prêmios na casa dos R$ 20 mil", garantiu. Ela também sonha com a casa própria. "Se outra pessoa que apostar comigo for sorteada, pediria que ela me desse uma casa", sugeriu. Mas infelizmente quando é ela quem faz a aposta, a sorte não aparece. "Eu pago um aluguel de R$ 400. Gostaria muito de ser sorteada."
Sua colega, a operadora Ester Vieira, trabalha em lotéricas há 26 anos e em 2011 foi ela quem recebeu a aposta da Quina de São João para ser processada no seu terminal que acabou sendo contemplada por um prêmio de R$ 13 milhões. Desse montante, ela não recebeu nenhum tostão, mas ela continua fazendo apostas para que um dia seja a contemplada. "Não aguento mais pagar o aluguel. Se eu ganhasse um prêmio desses compraria uma casa", disse Ester, destacando que paga R$ 530 como inquilina de um imóvel.
Ester se considera uma "pé-quente". A lotérica em que ela trabalha recebe semanalmente alguma aposta que é contemplada com algum tipo de prêmio, alguns mais altos e outros mais baixos. Com tantos prêmios passando por ela, ela percebeu que a maioria das apostas que são sorteadas são realizadas pelo próprio terminal, em um tipo de aposta chamada Surpresinha.
"As pessoas possuem palpites, mas se fosse para dar um conselho, diria para que as pessoas apostassem na Surpresinha", recomendou. Solteira e com um filho, Ester afirmou que um prêmio possibilitaria realizar os sonhos de seu filho de 18 anos. "No momento ele quer ganhar um carro."
Um dos apostadores, o arquiteto Fabrício Cazarim Sodré, fez duas apostas baseadas em palpites próprios e uma confiando nos números que o próprio terminal de apostas escolheu. "Eu estarei na praia quando sair o resultado. Dependendo do resultado, eu estico a minha estadia por lá", disse. Ele afirmou que o prêmio permitiria que comprasse imóveis para gerar mais renda e ajudasse uma instituição beneficente. "Mas acho difícil ganhar sozinho."
O gerente de produção Wagner Augusto Manuel também aproveitou para fazer a sua aposta. Ele destacou que nunca teve muita sorte em jogos. "Nem o meu Palmeiras está bem. Mas se eu ganhasse melhoraria a minha qualidade de vida. Montaria um espaço para cuidar de animais", relatou. Ele prometeu que voltaria hoje à lotérica para fazer uma nova aposta depois que soube que a Surpresinha tem dado sorte aos apostadores da lotérica.
O proprietário da lotérica, Aldemar Mascarenhas, afirmou que tem recebido apostas altas. No momento em que a reportagem chegou, ele estava com um maço de volantes de um apostador que aplicou R$ 800. "A aposta dele combinou 21 dezenas em 320 cartões", explicou.
Mas ele destacou que existem pessoas ou grupos de apostadores que têm apostado na casa de R$ 50 mil. "Existem muitos funcionários de empresas que se cotizam para fazer os bolões." Ele revelou que já conheceu muitas pessoas que ganharam prêmios milionários. "Alguns souberam aplicar bem o dinheiro, mas outros perderam tudo. O dinheiro não aceita desaforo. Uma das pessoas que receberam o prêmio era do Piauí e fechou todos os bares da cidade, passando a pagar bebidas para a cidade inteira. Acabou ficando sem nada", revelou.
Para os londrinenses, ele deu uma grande esperança de que o prêmio saia para um apostador daqui. "Londrina é a cidade que recebe o maior volume de prêmios no Brasil. É uma cidade pé-quente. E se Deus quiser, vai sair de novo aqui, de preferência na minha lotérica", afirmou.
O prêmio da Mega da Virada não é acumulativo. Se depois de sortear as seis dezenas não houver ganhador, o valor será somado ao rateio dos acertadores da quina e assim sucessivamente. A aposta mínima é de R$ 2,50 e pode ser feita em qualquer casa lotérica. O preço mínimo para participar de um bolão é de R$ 10.


