Com apoio do BC e da Receita, CPI promete avançar
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 01 (AE) - A CPI do Narcotráfico começa a montar estratégias para disciplinar o seu trabalho, ao mesmo tempo em que ganha reforço técnico do Banco Central e da Receita Federal para analisar dados decorrentes de centenas de quebras de sigilos telefônicos, bancários e fiscal de suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas no Brasil. "Com maior apoio teremos, a partir de agora, uma investigação mais célere"
adiantou o relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE). Segundo o presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES) apenas 10% do material enviado à comissão foram analisados. "Faltou muito apoio técnico, mas agora já está chegando", disse Torgan.
Ele disse que até agora a CPI tinha o auxílio de um técnico da Receita e outro do BC. "Vieram dois técnicos da Receita, mas eles vão e voltam", explicou. A expectativa é de que pelo menos cinco técnicos da Receita e outros cinco do Banco Central prestem colaboração permanente à CPI, sem contar com pessoal do serviço de inteligência da Presidência da República e da Polícia Federal. "Ao todo, acho que teremos 30 pessoas colaborando", disse Moroni Torgan.
A estratégia envolve uma interrupção dos depoimentos na CPI durante o recesso parlamentar. "Essa parada estratégia do recesso vai permitir que a documentação, tanto a que falta chegar como a que já chegou, seja analisada para que a partir de fevereiro possamos evoluir nosso trabalho tecnicamente", explicou Torgan. A documentação é constituída principalmente de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico de vários suspeitos. "Essa parada é boa, porque os técnicos não vão ter que se preocupar em municiar os deputados nos depoimentos e vão se preocupar só com a linha investigativa", argumentou Torgan.
Em relação à quebra de sigilo telefônico, é preciso fazer o cruzamento de milhares de ligações. Quanto ao fisco, a CPI não quer apenas a declaração de renda dos suspeitos, mas toda uma avaliação patrimonial deles. Com isto, a comissão pretende conseguir fazer a relação de pessoas com traficantes e com o crime organizado.
DIREÇÃO - Magno Malta também não quer deixar que a CPI passe a "atirar para todos os lados", afastando-se dos objetivos principais. Ele reclamou dos integrantes da comissão porque "cada um estava dizendo uma coisa". Magno e Torgan dizem que é preciso avançar nas investigações do que constituiria a "coluna vertebral" da CPI: as denúncias do motorista Jorge Meres, que fez diversas denúncias relativas ao Maranhão, o chamado polígono da maconha (PE), que se estende por vários estados nordestinos, as chamadas conexão Suriname e a Nigeriana (cuja atuação em São Paulo é ligada ao crack), o tráfico no Rio de Janeiro, Espírito Santo e em Minas Gerais, além de casos de lavagem de dinheiro.
"O objetivo é terminar Jorge Meres e depois dar continuidade a linhas investigatórias", explicou Torgan. Está mais que comprovado o trabalho da CPI; como ela tem agido de maneira responsável e como os atos têm tido consequências", disse o relator, salientando, contudo, a necessidade do envolvimento do judiciário e das polícias dos Estados.
"A CPI não se propõe a esgotar os assuntos; por isso em cada Estado planejamos estabelecer um conselho que, além de apoiar a CPI, dê continuidade aos trabalhos." Magno Malta reclama que a CPI tem sido pressionada. "Temos uma série de troços para investigar e não tem tempo para tudo e não vamos sair de nossa linha mestra", afirmou. "Por isso mesmo estamos oficiando as assembléias e câmaras municipais para que instalem suas próprias CPIs", disse Malta. A CPI decidiu que as denúncias não relacionadas diretamente à "coluna vertebral" de investigações serão avaliadas por diligências, feitas por deputados.


