Rio, 27 (AE) - Nove presos, entre eles quatro ex-policiais, fugiram na madrugada de hoje de duas unidades do Complexo Penitenciário da Frei Caneca, no centro do Rio, numa ação planejada e sincronizada com traficantes do Morro da Mineira, localizado nos fundos do presídio. Na fuga, o policial militar Gutemberg Neves da Silva, de 25 anos, que estava de plantão numa guarita, foi baleado no ombro e na perna. Ele foi atingido por rajadas de metralhadoras disparadas pelos traficantes do morro. Eles também jogaram uma granada que explodiu no pátio do Complexo, mas ninguém foi atingido.
O secretário de Justiça, Antônio Oliboni, afastou hoje à tarde o diretor do Complexo, Sérgio Avelino Ferreira, e todos os seus auxiliares diretos. Ele determinou a abertura de uma sindicânica, que será concluída no máximo em oito dias, para apurar se houve facilitação de fuga por parte de agentes penitenciários. "Foi uma fuga que precisa ser investigada com detalhes já que nenhum agente diz ter visto os presos fugindo pelas galerias", ressaltou o delegado da 6ª Delegacia Policial (Cidade Nova), Osvaldo Cupello, que investiga o caso.
Três dos nove foragidos são ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV) e identificados como Eduardo Borges, de 33 anos, Orlando dos Santos, de 24 anos, Mauricio Soares, de 25 anos. Eles estavam no presídio Milton Dias Moreira, uma unidade de Custódia, onde aguardavam julgamento. Já os outros seis foram identificados como os ex-PMs Luís Augusto Dias, de 40 anos, Pedro da Costa, de 47 anos, Sergio Batista, de 36 anos; o ex-policial civil Ricardo Lafayette, de 33 anos; e os ex-bombeiros Marcos Alves, de 32 anos, e Agmar Bravo, de 36 anos. Todos condenados a mais de dez anos por sequestro, assalto e receptação e estavam na mesma cela do terceiro pavilhão do presídio Pedrolino de Oliveira.
De acordo com o delegado, a fuga foi planejada. " A ação ocorreu sincronizada com traficantes do Morro da Mineira", disse Cupello. No local, a polícia apreendeu um telefone celular
um par de luvas, uma escada, uma corda, oito cadeados e uma bomba de uso defensivo, que não chegou a ser usada pelo traficantes.
Fuga - A fuga aconteceu às 4 horas, quando os nove foragidos se encontraram no telhado do Pedrolino. Segundo a perícia, os três crimininosos que estavam na Casa de Custódia serraram os cadeados da galeria onde estavam e fugiram para o pátio. Em seguida, o trio entrou no Pedrolino, após quebrar cadeados da galeria para os outros seis presos. Em seguida, os nove usaram uma escada para chegar ao telhado. Lá, traficantes do Morro da Mineira lançaram uma pedra com uma corda (marimbá, na gíria local) em direção ao grupo. Os foragidos fizeram, então
um rapel - uma técnica de alpinismo que consiste em corda aérea presa em dois pontos - o jogaram em uma árvore e atravessaram o pátio do Complexo.
Nesse instante, traficantes do alto do Morro da Mineira deram rajadas de tiros que partiam, segundo a polícia, de diversos pontos da favela para evitar a reação de guardas externos. Os tiros feriram o PM Silva. Depois de chegarem ao chão, o foragidos continuaram a fuga subindo numa escada deixada por traficantes e pularam o muro, que divide o presídio e o Morro da Mineira. Até o final da tarde de hoje nenhum deles havia sido recapturado. ontem, os foragidos não haviam sido capturados.
Aviso - Às 21h de ontem (26), um telefonema anônimo dado aos policiais da 6ª DP informou que haveria um fuga em massa no Complexo. Segundo Cupello, a denúncia foi repassada à Central de Comunicação da Polícia, que acionou a Centro de Inteligência e Apoio Policial (Cinap). Alegando falta de homens , o Cinap não compareceu ao local. O fato será apurado pela secretarias de Justiça e Segurança Pública.
Há cerca de dois anos, um dos maiores traficantes do Rio
Celso Luis Rodrigues, o "Celsinho da Vila Vintém", fugiu do Complexo depois de subornar guardas.

mockup