Com a decisão, diálogo é retomado
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domingo, 15 de junho de 1997
Agência Estado Itaberaí 
O acordo feito entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e governo de Goiás pode reiniciar o diálogo entre o governo e o movimento, interrompido no ano passado. Goiás foi o terceiro exemplo de acordo isolado entre o MST e governo. Antes, o Incra já havia negociado com os sem-terra no Paraná e em Sergipe, apesar dos atritos existentes entre a coordenação nacional do MST e o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann.
O governo federal sempre esteve aberto ao diálogo, disse o presidente do Incra, Milton Seligman, que foi um dos principais interlocutores do Palácio do Planalto junto ao MST durante a marcha a Brasília, em abril passado, quando ainda era secretário-executivo do Ministério da Justiça. Além de descentralizar as decisões das superintendências do Incra, Seligman quer a participação dos estados nas negociações. Em Goiás, uniu-se ao governo local para resolver o problema da fazenda Santa Rosa.
Este acordo não só resolveu a questão da fazenda Santa Rosa, mas também ajudou outros acampamentos existentes em Goiás, lembrou Valmir Zanatta, um dos coordenadores nacional do MST. Segundo Zanatta, o governo vai fornecer alimentos e assistência para outros acampados até que haja uma solução definitiva sobre as terras reivindicadas pelo MST na região. Foi um avanço no processo de reforma agrária que evitou um novo conflito, observou o deputado Aldo Arantes (PCdoB-GO).
Para fazer cumprir o decreto presidencial da semana passada, o governo poderá solicitar ajuda dos estados e municípios para a retirada dos sem-terras das áreas invadidas, como aconteceu em Goiás. As prefeituras e o Estado podem se aliar a nós, fornecendo áreas para alojar as famílias que saírem das áreas a serem vistoriadas, disse Seligman, na semana passada.
O governo de Goiás relacionou três áreas disponíveis para colocar provisoriamente as 350 famílias da Fazenda Santa Rosa e colocou diversos caminhões do Estado à disposição dos acampados, que começaram a preparar a mudança para terras da Companhia de Eletricidade de Goiás (Celg). As primeiras famílias deveriam ter saído ontem, mas a chuva impediu a entrada dos caminhões na fazenda.


