Coluna vertebral sob efeito dominó
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de maio de 2008
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Imagine uma estrutura frágil sustentada por cordas elásticas bilaterais, que para ficar equilibrada precisa que essas cordas tenham a mesma tensão, e onde uma mínima diferença de força já basta para promover o desequilíbrio.
É dessa maneira que a osteopatia, um dos ramos da fisioterapia, considera a estrutura óssea humana, onde as alterações de tensão podem ser traduzidas desde as emocionais até movimentos simples do dia a dia, e os desequilíbrios, em dores.
O fisioterapeuta Marcelo Sahyun, especialista em osteopatia, explica que mesmo movimentos corriqueiros, como um tropeção, um espirro, ou um simples abaixar para pegar algo, podem ter repercussões na coluna. Na osteopatia, eles são chamados de micromovimentos e podem causar pequenas rotações vertebrais, imperceptíveis no início, mas que considerando o efeito dominó no organismo, podem chegar a muitas dores.
Começa como micromovimento, que depois se traduz em movimentos muito maiores, porque é uma somatória, ressalta.
Sahyun cita o exemplo de uma paciente que abaixou para arrumar uma ruga no lençol da cama quando passava pelo quarto e travou. Ela simplesmente não conseguiu levantar mais, tive que começar o atendimento na casa dela. Mas, na verdade, o problema já vinha lá de trás, e aquela só foi a última gota para transbordar o copo. A gente tem que considerar que nossa coluna é como uma poupança, onde vão se somando vários errinhos, afirma.
Alguns crimes contra a coluna, por exemplo, são movimentos de varrer a casa com uma vassoura com cabo muito baixo, passar cera no chão abaixada, ou movimentar a coluna na hora de pegar algo pesado no chão, ao invés de fazer movimentos com os braços e as pernas. As pessoas fazem um monte de coisa errada durante o dia, o tempo todo, é preciso mais educação nesse sentido, avalia.
Mas outros movimentos podem ser bastante corriqueiros e também causar essas rotações - como o tropeção, que interrompe o movimento natural do quadril ao caminhar e este pode rotacionar.
Mesmo um espirro, que promove uma hiperpressão no tórax, pode causar esse micromovimento e uma rotação vertebral.
Ou olhar para trás ao dar ré no carro. Na verdade somos muito frágeis.
O fato de você virar e fazer um esforço um pouquinho maior, somado ao fato de que você já sofre de outras tensões, como as emocionais, pois elas transcrevem-se para a musculatura como tensão física, pode resultar em deslizamento, ressalta.
Sahyun explica que uma rotação torácica em vértebras específicas, por exemplo, na quinta ou sexta vértebra, pode afetar a enervação desse segmento, atingindo a víscera correspondente, neste caso o estômago, resultando em dores no órgão e enjôos. Aí a pessoa procurar o gastroenterologista, que faz exames e não acha nada. E quando você mexe na dorsal dele começa a reequilibrar tudo.
É comum, por exemplo, a pessoa ter dores no peito e formigamento no braço, sintomas muito semelhante a um infarto, e o problema ser na verdade na coluna.


