Coluna sul da Mobilização Acordo Rural reúne 500 caminhões
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de agosto de 1999
Por Luiz Carlos Lopes (especial para a AE) 
Presidente Prudente, SP, 14 (AE) - Cerca de 500 caminhões formavam hoje a coluna sul da Mobilização Acordo Rural
organizada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que realizou manifestação em Presidente Prudente, no Oeste de São Paulo, para apoiar a luta pelo perdão de 40% (R$ 7 bilhões) da dívida agrícola, estimada em R$ 24 bilhões, prorrogação por 20 anos da parcela restante, protestar contra as invasões de propriedades rurais e exigir garantia de renda para as atividades do campo.
A coluna, procedente de Erechin (RS), deveria seguir à tarde para São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, mais uma etapa da viagem com destino a Brasília, onde deverá chegar na terça-feira (17), juntamente com os comboios procedentes de Rondonópolis (MT), Barreiros (BA) e Guaraí (PA).
A estimativa dos ruralistas é de que pelo menos 2 mil caminhoneiros participem dos protestos na capital federal. Em Prudente, o encontro foi organizado pela União Democrática Ruralista (UDR) e teve a participação de pelo menos mil produtores da região, segundo estimativa feita pela presidente da entidade, Tânia Tenório de Farias. Uma parte dos caminhões desfilou pelas principais ruas da cidade, seguindo depois para o recinto de exposições de animais, onde foi descerrada placa comemorativa.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, Fábio Meireles, que participou da concentração, enfatizou o trabalho desenvolvido pelos ruralistas para a recomposição das dívidas do campo e a aprovação de projeto que concede os benefícios aos produtores pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.
Meireles disse não acreditar que o presidente Fernando Henrique Cardoso vete o projeto, caso ele seja aprovado. "O Congresso é a grande força da democracia, pois representa os anseios de todas as camadas sociais e esta é a hora, no mínimo, de o presidente da República assumir a responsabilidade de negociar os legítimos interesses dos produtores", afirmou.
Para a presidente da UDR, o perdão de R$ 7 bilhões da dívida "representa apenas o retorno do que o governo já tirou da classe produtora rural". Segundo Tânia, antes de representar um prejuizo aos cofres públicos, o perdão deve ser visto como investimento que trará retorno direto à economia nacional.
Ele lembrou que, na proposta dos produtores, existe o compromisso da classe ruralista de, sendo atendida nas reivindicações, gerar 1,5 milhão de empregos até 2003, produzir 100 milhões de toneladas de grãos em 2000 e assegurar saldo positivo de 45 bilhões de dólares até 2002, com a exportação de produtos agrícolas.
Além de apoiar as negociações para as dívidas do campo, a reunião de Presidente Prudente destacou o apoio ao projeto do deputado Moacir Miqueleto (PMDB-PR) que altera o Decreto 2.250 e proíbe, por cinco anos, a vistoria para fins de reforma agrária de propriedades invadidas.
A presidente da UDR disse que a concentração de hoje representou o lançamento da bandeira em defesa da propriedade rural e lembrou o clima de desestabilização provocado pelas invasões de áreas agrícolas.
O coordenador do Movimento Nacional de Produtores (MNP) em Mato Grosso do Sul, Renato Merén, lembrou que, atualmente, 63 propriedades estão invadidas no Estado e que a proibição da realização de vistorias pelo prazo de cinco anos é a única alternativa para conter as investidas dos grupos de sem-terra.


