Colonos ocupam área destinada à GM
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terça-feira, 22 de julho de 1997
Agência Folha Porto Alegre 
Agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram às 7 horas de ontem a área de 370 hectares desapropriada pelo governo do Rio Grande do Sul para implantação da montadora da General Motors (GM), em Gravataí (região metropolitana de Porto Alegre).
Os agricultores - pequenos proprietários e assentados - reivindicaram, para deixar o local, 15% dos recursos adiantados pelo governo gaúcho à GM, ou seja, R$ 37,9 milhões sobre os R$ 253 milhões concedidos à multinacional. O MST disse que o dinheiro seria usado na infra-estrutura dos assentamentos (5%) e para créditos subsidiados (10%). Enquanto a agricultura geme, o Britto (governador Antônio Britto-PMDB) dá dinheiro para a GM, estava escrito em uma das faixas colocadas na entrada do acampamento montado pelos agricultores, que disseram ser em número de 800. Eles empunhavam foices e paus.
A área, à margem da BR-290, foi cercada por cerca 500 policiais da Brigada Militar, incluindo soldados do pelotão de choque e do Gate (Grupo de Ações Táticas) com cães, armamentos pesados e bombas.
O governador, que no final da manhã recebeu dirigentes da GM no Palácio Piratini (sede do governo gaúcho) em uma visita que já estava agendada, pediu reintegração de posse da área e disse que não negociaria com os invasores. Britto declarou que a invasão faz parte de um calendário de oportunismo, que reservaria mais surpresas.
Às 17h30, o prefeito de Gravataí, Daniel Bordignon, levou ao acampamento a notícia que a juíza da cidade, Glaucia Morandini, concedeu o prazo de 48 horas para a retirada dos agricultores. Concedi 48 horas para viabilizar uma desocupação pacífica e voluntária. Todos estamos cansados de confronto, disse a juíza. Quando souberam da concessão do prazo de 48 horas, os agricultores gritaram em coro Com luta, com garra, a grana sai na marra. Com a decisão, os soldados deixaram a área. No momento da retirada, eles aplaudiram os invasores.
Os agricultores disseram não ter interesse em permanecer na área que será ocupada pela GM. Eles afirmaram que a invasão do local foi uma estratégia para reivindicar recursos para a agricultura e forçar uma audiência com o governador Britto, que nunca recebeu o MST, disseram líderes do acampamento.
Marcha - A marcha dos sem-terra do Rio de Janeiro, iniciada na sexta-feira, pela Reforma Agrária, Emprego e Justiça, chegou ontem nos municípios de São Gonçalo (grupo que partiu da região norte fluminense) e São João de Meriti (grupo que saiu de Seropédica, na Baixada Fluminense).
Eles deverão chegar no Rio na sexta-feira, para manifestação em frente à sede regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Em São Paulo, grupos de sem-terra vindos de vários pontos do interior do Estado marchavam ontem pela rodovia Anhanguera, na região de Jundiaí. Carregando faixas e bandeiras do MST, o grupo ocupa um dos acostamento da pista. A marcha, que deve chegar à capital na sexta-feira, é seguida por caminhões.Paulo Liebert/Agência Estado
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A caminhoSem-terra com faixas e bandeiras do MST, em marcha pela reforma agrária rumo a São Paulo, na Rodovia Anhanguera, em JundiaíAgricultores gaúchos exigem R$ 37,9 milhões, 15% do que o Estado concedeu à multinacional para se instalar no RS


