Colonos dizem que não há acordo para devolver terras a pataxós
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sábado, 20 de novembro de 1999
Por Paulo Leandro 
Salvador, 20 (AE) - O vice-presidente do Sindicato Rural de Pau Brasil, Marcos Guimarães, negou hoje que os agricultores tenham firmado um acordo e por meio do qual seriam indenizados pela devolução das terras aos índios pataxós hã-hã-hãe para pôr fim aos conflitos que já resultaram na morte de dois policiais militares.
Os colonos exigem a retirada total dos 1.200 mil índios das 14 fazendas ocupadas no município de Pau Brasil, a 550 km de Salvador, como condição básica para negociar uma proposta de paz para a região.
Guimarães estranhou as declarações do delegado da Polícia Federal, Rubem Paturi, que anunciou o fim da disputa com a suposta aceitação da proposta de paz por parte dos colonos. "Não podemos manter os índios nas portas das fazendas como querem nos impor", disse. "Declarações apressadas como essa do delegado só servem para aumentar o problema."
O dirigente sindical não descarta a alternativa de indenização, mas disse que o valor total depende da definição do tamanho da área reivindicada pelos índios. Os 250 colonos acampados no município de Pau Brasil admitem usar a força para tentar recuperar as terras, se os índios permanecerem no local, conforme foi anunciado pelo Comando Geral da Polícia Militar.
O clima ficou ainda mais tenso com a prisão de 13 índios
acusados de terem roubado cabeças de gado da propriedade de um fazendeiro. Os índios voltaram a negar terem sido os autores do assassinato dos policiais militares, como chegou a ser noticiado. A hipótese de inocência dos pataxós foi reforçada porque a polícia não encontrou armas de fogo entre os índios.
Os pataxós afirmam que pistoleiros contratados pelos colonos estavam nas imediações da Fazenda São Lucas, próximo ao local onde os policiais Jonivaldo da Silva e Deusmar Barreto foram mortos, em emboscada, quarta-feira passada.
PF - A Polícia Federal está assumindo o controle das investigações, como determina a Constituição, mas os 350 policiais militares enviados pelo governador César Borges (PFL) continuam na região. A PM instaurou inquérito para apurar a morte dos policiais.
O presidente da Funai, Carlos Frederico, já deixou a região, onde, no início da semana, os pataxós ocuparam 14 das 435 fazendas instaladas nos 54,1 mil hectares da reserva.


