Colônias de pescadores ajudam na retirada de peixes mortos7/Mar, 17:50 Por Maria Fernanda Delmas Rio, 07 (AE) - As colônias de pescadores da Lagoa Rodrigo de Freitas e de Copacabana, no Rio, começaram a ajudar na retirada dos peixes mortos da lagoa, na zona sul, após um acordo com o governo do Estado. O governo está chamando de mutirão o apoio de 35 pescadores, negociado na madrugada de hoje e espera que o recolhimento dos peixes seja encerrado amanhã (08). De domingo (05) até hoje, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) calculava ter recolhido 101 toneladas de peixes mortos na lagoa. O pescador Eurípedes Faria Júnior, de Copacabana, afirmou que o trabalho dos colegas começou hoje mesmo. O presidente da colônia de Copacabana, Antônio Rodrigues, estima que apenas em 10 meses a lagoa estará completamente recuperada, com a mesma quantidade de peixes de antes da mortandade de domingo. A remuneração dos pescadores seria acertada hoje à noite. Apesar das providências, continuou a troca de acusações entre os técnicos do Estado e do município do Rio sobre a responsabilidade no acidente ecológico. O presidente da Companhia Estadual de água e Esgotos (Cedae), Alberto Gomes, insiste em apontar uma interrupção na dragagem no Jardim de Alah que liga o Leblon à Lagoa, como principal causa da mortandade de cerca de 100 toneladas de peixe, a maior em oito anos. "É mentira", diz o presidente da Fundação Rio-águas, Carlos Dias - órgão municipal responsável pela dragagem. "A dragagem realmente não foi feita no domingo, mas isso não é novidade, é de praxe em todos os domingos há seis anos", explicou. Para Dias, os constantes vazamentos de esgoto da Cedae é que poluíram a lagoa. Gomes disse que houve apenas vazamento de água neste domingo. Gomes declarou ainda, hoje à tarde, que não tinha visto na área os representantes do município. O presidente da Rio-águas foi localizado no Jardim de Alah, no ponto da dragagem. "O presidente da Cedae se contradisse: afirmou que o canal estava fechado, mas reconheceu que o nível das águas da lagoa estava baixo: então, por onde a água escoou?", questionou Dias. O secretário de Estado de Meio Ambiente, André Corrêa, que acompanhou a limpeza, reconhece que há jogo de empurra. Mas o presidente da Cedae informou que o governador Anthony Garotinho (PDT) pediu que parasse o "blá-blá-blá" e o Estado agisse, independentemente de responsabilidades. Pelos números oficiais da Comlurb, foram retiradas da lagoa 21 toneladas de peixe no domingo e 35 toneladas ontem. Hoje, a estimativa era recolher mais 45 toneladas. Já o governo do Estado, além dos pescadores, disponibilizou barcos comuns, caminhões e um catamarã - o ecoboat - que "suga" os peixes mortos. A Cedae também colocou nas margens da lagoa um caminhão de aspirar esgoto para puxar os peixes e tornar ágil o trabalho.