Colônia árabe é a segunda do País
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Da Redação 
Ney de SouzaReligiãoA hospitalidade é uma das mais conhecidas características do povo árabe. E isso fica claro quando se visita a casa da família Issa. São seis pessoas no total: o pai, Sobhi Mohamad Issa, a mãe, Cabura Issa, e os quatro filhos, Cassi, Ruhaida (casada), Fadua e Anis. Quem entrar na casa, dificilmente sairá sem experimentar um típico café árabe ou então alguma delícia feita por Cabura.
Os Issa são exemplo de integração. Cabura e as filhas, por exemplo, se vestem como qualquer outra mulher de países ocidentais. Ela, apesar de ter o sotaque árabe, nasceu no Brasil, mas é filha de libaneses. O comerciante Sobhi veio do Líbano, gostou do Brasil e começou um negócio aqui. Primeiro a família morou em São Paulo e depois veio para Foz do Iguaçu.
A família segue a tradição muçulmana. Respeita a religião e os costumes islâmicos. No entanto, os filhos estudam em colégio da Igreja Católica, adminstrado por freiras. Deus é um só. Quando entro numa igreja ou numa mesquita estou entrando numa casa de oração. Tanto o padre quanto o sheik falam e ensinam boas coisas, explica Cabura.
Ney de SouzaFachadasPresença oriental no comércio
Na casa, lado a lado estão a Bíblia e o Alcorão (a bíblia muçulmana). Se à tarde os filhos vão para a escola tradicional, de manhã eles estudam árabe. Cabura diz que eles já batizaram o filho de um casal de amigos na Igreja Católica. O padre não se importou com o fato de sermos muçulmanos. E, no final, ainda almoçou em nossa casa.
Maioria A família Issa é parte da segunda maior colônia árabe do Brasil. Em Foz do Iguaçu são 12 mil pessoas que vieram de países do Oriente Médio, como Líbano, Síria, Iraque e Palestina. A influência é tão grande que algumas lojas na cidade trazem os letreiros escritos em árabe. É difícil sentir falta do Líbano aqui, vivemos como se fôssemos uma grande família. Só num país como o Brasil isso poderia acontecer, diz Cabura.
Algumas lojas vendem produtos importados diretamente do Líbano. É comum entrar nesses mercados e ouvir músicas árabes ou então comprar uma lata de leite condensado que acabou de chegar da Síria.
Ney de SouzaHospitalidadeCabura, Sobhi Mohamad e os filhos Fadua, Cassi e AnisImigrantes
Além de árabes, Foz do Iguaçu recebeu outras dezenas de etnias. Segundo a Polícia Federal, estão registrados oficialmente na cidade 1.050 chineses e 380 coreanos.
Muitos europeus também escolheram Foz do Iguaçu para viver. Como é o caso da empresária francesa Nathalie Husson Franzotto. Ela chegou em Foz do Iguaçu em 1987 para se casar com um brasileiro, o iguaçuense Cleimar Franzotto.
Há oito anos, o casal instalou na cidade a Livraria Kunda, que é considerada uma das melhores do interior do Estado. O fato de Nathalie ser francesa faz com que a livraria tenha à disposição títulos em vários idiomas. A estimativa é que na região estejam vivendo hoje cerca de 100 franceses. O grupo está reativando a Associação Franco-Brasileira, que pretende desenvolver uma série de atividades culturais relacionadas à França. Para o dia 14 de julho, está programado um jantar no Clube Hípico para comemorar os 208 anos da Revolução Francesa.


