Ney de SouzaReligiãoA hospitalidade é uma das mais conhecidas características do povo árabe. E isso fica claro quando se visita a casa da família Issa. São seis pessoas no total: o pai, Sobhi Mohamad Issa, a mãe, Cabura Issa, e os quatro filhos, Cassi, Ruhaida (casada), Fadua e Anis. Quem entrar na casa, dificilmente sairá sem experimentar um típico café árabe ou então alguma delícia feita por Cabura.
Os Issa são exemplo de integração. Cabura e as filhas, por exemplo, se vestem como qualquer outra mulher de países ocidentais. Ela, apesar de ter o sotaque árabe, nasceu no Brasil, mas é filha de libaneses. O comerciante Sobhi veio do Líbano, gostou do Brasil e começou um negócio aqui. Primeiro a família morou em São Paulo e depois veio para Foz do Iguaçu.
A família segue a tradição muçulmana. Respeita a religião e os costumes islâmicos. No entanto, os filhos estudam em colégio da Igreja Católica, adminstrado por freiras. ‘‘Deus é um só. Quando entro numa igreja ou numa mesquita estou entrando numa casa de oração. Tanto o padre quanto o sheik falam e ensinam boas coisas’’, explica Cabura.
Ney de SouzaFachadasPresença oriental no comércio
Na casa, lado a lado estão a Bíblia e o Alcorão (a bíblia muçulmana). Se à tarde os filhos vão para a escola tradicional, de manhã eles estudam árabe. Cabura diz que eles já batizaram o filho de um casal de amigos na Igreja Católica. ‘‘O padre não se importou com o fato de sermos muçulmanos. E, no final, ainda almoçou em nossa casa’’.
Maioria A família Issa é parte da segunda maior colônia árabe do Brasil. Em Foz do Iguaçu são 12 mil pessoas que vieram de países do Oriente Médio, como Líbano, Síria, Iraque e Palestina. A influência é tão grande que algumas lojas na cidade trazem os letreiros escritos em árabe. ‘‘É difícil sentir falta do Líbano aqui, vivemos como se fôssemos uma grande família. Só num país como o Brasil isso poderia acontecer’’, diz Cabura.
Algumas lojas vendem produtos importados diretamente do Líbano. É comum entrar nesses mercados e ouvir músicas árabes ou então comprar uma lata de leite condensado que acabou de chegar da Síria.
Ney de SouzaHospitalidadeCabura, Sobhi Mohamad e os filhos Fadua, Cassi e AnisImigrantes
Além de árabes, Foz do Iguaçu recebeu outras dezenas de etnias. Segundo a Polícia Federal, estão registrados oficialmente na cidade 1.050 chineses e 380 coreanos.
Muitos europeus também escolheram Foz do Iguaçu para viver. Como é o caso da empresária francesa Nathalie Husson Franzotto. Ela chegou em Foz do Iguaçu em 1987 para se casar com um brasileiro, o iguaçuense Cleimar Franzotto.
Há oito anos, o casal instalou na cidade a Livraria Kunda, que é considerada uma das melhores do interior do Estado. O fato de Nathalie ser francesa faz com que a livraria tenha à disposição títulos em vários idiomas. A estimativa é que na região estejam vivendo hoje cerca de 100 franceses. O grupo está reativando a Associação Franco-Brasileira, que pretende desenvolver uma série de atividades culturais relacionadas à França. Para o dia 14 de julho, está programado um jantar no Clube Hípico para comemorar os 208 anos da Revolução Francesa.

mockup