Nova York, 24 (AE-AP) - Milhares de colombianos morrem baleados pelo narcotráfico para que alguns americanos possam sentir-se eufóricos por poucas horas inalando cocaína, comenta hoje (24) o jornal The Wall Street Journal em um editorial.
"Dezenas de milhares de colombianos - camponeses, juizes, prefeitos e jornalistas - já morreram com uma bala na cabeça para que alguns americanos possam sentir-se bem por poucas horas", diz o jornal americano.
A Colômbia é uma nação "onde o modus operandi de um movimento guerrilheiro homicida é invadir um povoado, assassinar seu prefeito, abrir as prisões e começar a exigir o pagamento de impostos de camponeses que cultivam coca para os barões da droga", afirma o WSJ.
Segundo o editorial, os guerrilheiros protegem as pessoas envolvidas na produção de droga de qualquer ação por parte da polícia e dos militares colombianos. "Devido ao estancamento resultante, o desafortunado presidente colombiano teve de ceder o controle de uma zona do tamanho da Suíça aos guerrilheiros e a seus narcotraficantes associados. Em poucas palavras, a Colômbia rural se parece muito com um país - digamos como a Rússia - onde a lei perde definitivamente e os delinquentes ganham".
O presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, esteve recentemente em Washington para ilustrar seu caso diante das Nações Unidas e reunir-se com o presidente Bill Clinton e membros do Congresso americano.
O editorial critica as iniciativas tomadas pelo governo Clinton para ajudar a Colômbia, que são concentradas na erradicação dos cultivos da coca, porque, segundo o jornal, "com o exército guerrilheiro da Colômbia armado até os dentes, os EUA adotaram a política de combater com herbicidas".
O jornal agrega que o consenso político americano é o de que não se deve permitir à Colômbia utilizar seu exército para combater os guerrilheiros porque o exército "é apresentado nos Estados Unidos e na Europa como um violador dos direitos humanos".
O jornal termina o editorial defendendo o fortalecimento do exército colombiano para que Bogotá recupere algum controle do país. Para isso, segundo o WSJ, "os Estados Unidos devem ajudar (a Colômbia)" a modernizar seu exército.

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