Bogotá, 26 (AE-ANSA) - O presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, viveu hoje o pior dia de seu governo depois da demissão do ministro da Defesa, Rodrigo Lloreda. A saída de Lloreda desembocou, no final do dia, na renúncia de pelo menos três generais, incluindo o inspetor geral do Exército. A renúncia ocorreu pela manhã quando ele leu em seu escritório um comunicado à imprensa onde deixa clara suas divergências com o processo de paz entre o governo e a guerrilha.
O Exército, em outro comunicado, informou que os comandos militares, liderados pelo general Fernando Tapias, se reuniriam com o presidente Pastrana, que se encontra em Cartagena, para deixar clara sua posição sobre o episódio. Tapias, que interinamente ficará no comando da Defesa do país, disse que as forças militares "não são inimigas do processo de paz". O presidente Pastrana está participando de uma cúpula presidencial da Comunidade Andina de Nações (CAN).
Para o analista político Rafael Nieto, a saída de Lloreda revela uma profunda fissura entre o governo e um setor da sociedade representado pelo ex-ministro. Nieto disse que existem setores sociais que querem o processo de paz mas não acreditam nas intenções da guerrilha. Para o senador oficialista Juan Manuel Ospina, que já manteve quatro reuniões com líderes guerrilheiros, "o ministro representava os que na sociedade querem a paz mas desconfiam dos guerrilheiros".
Lloreda, doutor em Ciências Jurídicas e Econômicas, tem 56 anos e se demitiu do Ministério da Defesa quando deixou claro, ontem, que discorda da continuidade da desmilitarização, por tempo indeterminado, de 42 mil quilômetros quadrados no sul do país, o dobro do tamanho de El Salvador, ou o concernente a quatro Kosovos. Os militares foram retirados da região por exigência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior guerrilha do país, que subordinaram o fato à abertura de um diálogo com o governo. Na região estão os departamentos de Caquetá e Meta, importantes produtores de cocaína.
Lloreda é o segundo ministro do gabinete de Pastrana a se demitir. Em 8 de maio deixou o poder o titular da Justiça, Parmenio Cuéllar. Ambos entraram no governo em 8 de agosto do ano passado, quando Pastrana tomou posse. Há versões que garantem que Lloreda será substituído pelo empresário Nicanor Restrepo, atual negociador com a guerrilha, ou o embaixador na Venezuela, Luis Guillermo Giraldo.

mockup