Colômbia extradita "rei da cocaína" para os EUA
Bogotá, 21 (AE-AP) Em fato inédito na década, o governo colombiano extraditou hoje (21) para os Estados Unidos o traficante colombiano Jaime Orlando Lara Nausa, de 30 anos, o "rei da heroína" na Colômbia. A Justiça americana acusa o traficante, apontado como chefe do cartel da heroína, de introduzir a droga nos Estados Unidos e dirigir uma quadrilha de distribuição com sede em Houston, no Texas. Ele está sujeito à pena de prisão perpétua se for considerado culpado.
Vestindo calças jeans, jaqueta azul e algemado, Lara foi levado de helicóptero de uma escola militar nas imediações da capital colombiana para uma base aérea da polícia. Ali, era aguardado por agentes do departamento de combate às drogas dos EUA, a DEA. Fortemente escoltado, ele percorreu cabisbaixo os 20 metros que separavam o helicóptero de um avião Cessna Super King 350, pertencente à DEA.
Poucos minutos depois, o avião levantava vôo rumo aos Estados Unidos. Durante todo o percurso na pista, até a decolagem, o Cessna foi acompanhado por um veículo preto do Exército colombiano.
As medidas excepcionais de segurança que cercaram o episódio tinham um objetivo claro: evitar a ocorrência de represália por parte de outros traficantes. Quando no dia 9 a Justiça colombiana deu sinal verde para a extradição de Lara Nausa, um carro-bomba explodiu na capital colombiana, causando a morte de 8 pessoas e ferimentos em 40.
As autoridades temem a repetição da onda de atentados, que abalou o país no fim da década de 80 logo após a aprovação da lei de extradição pelo Congresso colombiano. Várias explosões com dezenas de mortes ocorreram em Bogotá e outras cidades, como Medellín e Cali.
A maioria dos atentados foi atribuída a Pablo Escobar Gaviria, então poderoso chefe do cartel da cocaína de Medellín (Escobar foi morto em dezembro de 1993 depois de ter sido perseguido e encurralado por forças policiais). Ele costumada dizer que preferia "um túmulo na Colombia a uma cela nos EUA".
Pressionadas pela reação violenta dos barões da cocaína e parte da opinião pública, as autoridades colombianas revogaram a lei da extradição em 1991. Mas, com a morte de Escobar e sob pressão de Washington, a legislação foi restabelecida em 1997, com uma ressalva: a nova lei não teria efeito retroativo. Isto é
só poderiam ser extraditados colombianos que cometeram crimes após aquela data (1997).
"Embarcamos o cidadão colombiano Jaime Orlando Lara Nausa para os Estados Unidos cumprindo ordem expressa do Poder Executivo", confirmou o diretor da polícia judiciária colombiana, general Ismael Trujullo. Segundo ele, tramitam na Justiça colombiana mais de 40 pedidos de extradição de colombianos, apresentados pelas autoridades americanas.
O presidente colombiano, Andrés Pastrana, autorizou também a entrega à polícia americana de um traficante venezuelano, preso em agosto do ano passado.
Lara foi detido em 11 de dezembro sob a acusação de introduzir entre 10 e 15 quilos de heroína nos EUA. A droga, segundo as autoridades americanas, chegou ao Texas na bagagem de passageiros de aviões comerciais.
Os advogados do traficante denunciaram "vícios" no processo de extradição. "Não conhecemos as provas contra Lara nem fomos informados sobre sua entrega à polícia americana", disse a advogada Judith Bonilla. "Tudo isso é muito estranho."





